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Redação Exame
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 12h11.
Quem nunca comprou um brinquedo caro para o gato e viu o animal ignorar o presente para se acomodar na caixa de papelão? O comportamento, que parece apenas engraçado, tem explicações científicas ligadas à evolução, aos instintos de caça e à necessidade de segurança dos felinos.
Especialistas explicam que caixas oferecem exatamente o que os gatos mais valorizam: controle do ambiente, conforto e bons pontos de observação.
“Independentemente da personalidade ou do nível de energia, todos os gatos conseguem tirar algum benefício de uma caixa bem posicionada”, afirma Mikel Delgado, consultora em comportamento felino e pesquisadora sênior da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, à revista Popular Science.
Os gatos foram domesticados há milênios, mas mantêm comportamentos herdados de seus ancestrais selvagens.
Na natureza, felinos ocupam uma posição delicada na cadeia alimentar: são predadores, mas também podem se tornar presas.
Por isso, buscam locais que possibilitem a eles exercer as duas funções. Ou seja, que ofereçam proteção e vantagem estratégica durante a caça.
“Gatos que vivem soltos buscam esconderijos como arbustos ou frestas para não serem vistos por presas ou predadores”, explica Delgado.
Em casa, as caixas cumprem essa mesma função. As laterais o escondem o corpo e a abertura em cima, ou na frente, permitem ao gatinho observar seus arredores. Por isso, elas se tornam o local ideal para "emboscadas" contra insetos imaginários, brinquedos de pelúcia ou alguns animais que podem aparecer pela casa, como baratas e ratos.
Além de ponto perfeito para a caça, as caixas funcionam como refúgio emocional.
Ambientes fechados ajudam gatos a lidar com situações estressantes ou mudanças no ambiente. “Existe uma atração natural por espaços cobertos e secretos”, diz Delgado.
Esse comportamento começa muito cedo. Segundo Danielle Gunn-Moore, professora de medicina felina da Universidade de Edimburgo, na Escócia, a primeira experiência de um gato recém-nascido costuma ser em um local fechado e protegido.
“A mãe procura um espaço silencioso e seguro para dar à luz”, explica à Popular Science. Estudos indicam que gatos recém-resgatados apresentam níveis menores de hormônios do estresse, como o cortisol, quando têm acesso a caixas.
A curiosidade também entra em cena. Gatos que vivem dentro de casa conhecem cada canto do território e percebem rapidamente qualquer novidade. “Uma caixa nova é algo diferente, interessante e divertido de explorar”, afirma Delgado.
Apesar de serem úteis e reconfortantes, as caixas também podem indicar algo sobre o estado emocional do animal.
“Depende muito do contexto”, ressalta Delgado. Um gato relaxado, dormindo dentro da caixa, demonstra conforto. Já um animal encolhido, com olhos arregalados, pode estar reagindo ao medo ou ao estresse.
A forma como o gato lida com situações de insegurança também está ligada à infância. Entre duas e nove semanas de vida, os filhotes absorvem informações cruciais sobre o mundo.
Experiências positivas nesse período tendem a formar adultos mais confiantes. Já gatos que passaram por situações difíceis podem precisar ainda mais de esconderijos seguros ao longo da vida.
“Gatos precisam de um lugar para se esconder quando sentem que não têm controle do ambiente”, afirma Gunn-Moore. No entanto, ela faz um alerta: “Se o gato passa o tempo todo escondido, isso não é um bom sinal”.
Nesse caso, o excesso de apego às caixas pode indicar que algo no ambiente está causando estresse, e merece atenção dos tutores.