Colaboradora
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 14h04.
A morte da influenciadora Isabel Veloso neste sábado, 10, aos 19 anos, reacendeu a atenção da sociedade para um tipo específico de câncer chamado Linfoma de Hodgkin (LH).
A doença, que acometeu a jovem e se tornou terminal, é um câncer do sistema linfático, parte do sistema imunológico, e se diferencia de outros tipos de câncer por sua origem nas células que normalmente combatem infecções.
Segundo o A.C.Camargo Cancer Center do Brasil, o Linfoma de Hodgkin, também conhecido como doença de Hodgkin, é uma forma de câncer que começa nos linfócitos B, um tipo específico de célula do sistema linfático.
O sistema linfático inclui uma rede de vasos e órgãos que ajudam o corpo a combater contaminações e manter a comunicação entre tecidos e órgãos.
Quando essas células se transformam em malignas, elas crescem e se acumulam nos linfonodos. Pescoço, as axilas e a parte superior do tronco são as regiões afetadas com mais frequência.
Embora a causa exata do Linfoma de Hodgkin seja desconhecida, o desenvolvimento da doença é associado à infecção pelo vírus Epstein-Barr e a condições que enfraquecem o sistema imunológico, segundo informações da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
Ainda assim, não há um motivo único que explique todos os casos, e o câncer não é considerado contagioso.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2022, foram registrados 3.080 casos, sendo 1.500 em homens e 1.580 em mulheres.
Os sintomas do Linfoma de Hodgkin variam conforme a região do corpo afetada e a extensão da doença. Um dos sinais mais comuns é a dor nos linfonodos, sobretudo no pescoço e axilas.
Além disso, pacientes podem apresentar febre sem causa aparente, perda de peso e apetite significativa, suor noturno intenso e fadiga persistente.
Alguns casos também relatam coceira na pele e sensação de desconforto ou falta de ar quando os linfonodos crescem no tórax. O diagnóstico definitivo envolve exames de imagem e biópsia de tecido linfático para identificar as características típicas das células malignas.
O Linfoma de Hodgkin tem uma das maiores taxas de cura entre os tumores hematológicos quando detectado em estágios precoces, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.
Protocolos padrão incluem quimioterapia, radioterapia ou uma combinação de ambos, ajustados de acordo com o estágio da doença e a saúde geral do paciente.
Tratamentos mais avançados podem envolver terapias alvo, imunoterapia ou transplante de medula óssea em casos mais complexos. O prognóstico depende diretamente do estágio no momento do diagnóstico e da resposta ao tratamento, segundo o A.C.Camargo.
Embora mais comum em adultos jovens e idosos, o linfoma de Hodgkin pode afetar pessoas de diferentes faixas etárias, incluindo adolescentes, afirma o Ministério da Saúde.
A resposta ao tratamento em jovens costuma ser melhor, em parte devido à maior tolerância aos ciclos de quimioterapia.
Além de Isabel Veloso, a ginasta brasileira Isabelle Marciniak, de apenas 18 anos, faleceu pelo mesmo diagnóstico no final de 2025.
Segundo o A.C.Camargo, a principal diferença entre Linfoma de Hodgkin e Não-Hodgkin (LNH) é a presença de células de Reed-Sternberg no LH (ausentes no LNH). Essas células estão presentes na forma clássica da doença, que computa 95% dos casos e responde melhor à quimioterapia.
O LH espalha-se de forma previsível, enquanto o LNH pode surgir em várias partes do corpo simultaneamente. LH é mais comum em adultos jovens, que respondem bem ao tratamento, enquanto LNH é um grupo mais diversificado (cerca de 80 tipos), mais comum após os 60 anos, e seu prognóstico varia mais.
O LNH já foi motivo de assunto diversas vezes ao longo dos anos, por ter atingido celebridades e pessoas relevantes na mídia.
O cantor Jorge Aragão foi diagnosticado com a doença em 2023, e respondeu bem ao tratamento. Além dele, Reynaldo Gianecchini, Edson Celulari e Michael C. Hall também batalharam o Linfoma Não-Hodgkin.