Ciência

O que é o linfoma de Hodgkin, câncer diagnosticado em Carlos Alberto Parreira

Ex-técnico da seleção brasileira enfrenta um tipo raro de tumor que se desenvolve nos gânglios do sistema imunológico

Parreira: ex-técnico da seleção brasileira enfrenta tratamento contra linfoma de Hodgkin (Agência Brasil)

Parreira: ex-técnico da seleção brasileira enfrenta tratamento contra linfoma de Hodgkin (Agência Brasil)

Publicado em 18 de junho de 2026 às 13h56.

O ex-técnico da seleção brasileira Carlos Alberto Parreira, campeão da Copa do Mundo de 1994, segue internado no Rio de Janeiro devido a complicações de saúde. Aos 83 anos, Parreira convive há anos com o linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, parte fundamental das defesas do organismo.

À Agência Brasil, Ricardo Bigni, chefe do Serviço de Hematologia do Instituto Nacional do Câncer (Inca), explicou que trata-se de uma doença relativamente rara, responsável por cerca de 20% dos casos de linfoma. Apesar da gravidade, os avanços no diagnóstico e no tratamento fizeram com que o linfoma de Hodgkin passasse a apresentar altas taxas de cura, especialmente quando identificado nas fases iniciais.

O que é o linfoma de Hodgkin?

O linfoma de Hodgkin é um câncer que se desenvolve nos linfonodos, também conhecidos como gânglios linfáticos, estruturas distribuídas por diversas regiões do corpo e responsáveis por ajudar no combate a infecções.

A doença surge quando um tipo de glóbulo branco sofre alterações genéticas e passa a se multiplicar de forma descontrolada. Essas células anormais, chamadas de células de Reed-Sternberg, desencadeiam processos inflamatórios que levam à formação de tumores nos gânglios linfáticos.

Os locais mais frequentemente afetados incluem pescoço, axilas, tórax e virilha.

Como a doença afeta o organismo?

Além do crescimento dos linfonodos, as células cancerígenas podem se espalhar pelo sistema linfático e alcançar outras partes do corpo.

Com a progressão da doença, tecidos e órgãos próximos também podem ser afetados, tornando o tratamento mais complexo.

Por esse motivo, o diagnóstico precoce é considerado um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de sucesso terapêutico.

Quais são os principais sintomas?

O sinal mais comum é o aumento persistente dos gânglios linfáticos, popularmente chamados de ínguas. Além disso, médicos alertam para os chamados "sintomas B", frequentemente associados a doenças hematológicas.

Entre os principais sintomas apresentados pelo linfoma de Hodgkin estão:

  • Febre sem causa aparente;
  • Suor excessivo durante a noite;
  • Perda de peso involuntária.

Em alguns casos, também podem ocorrer fadiga, coceira na pele e sensação de mal-estar persistente.

Como é feito o diagnóstico?

O aumento dos gânglios nem sempre significa câncer. Infecções, doenças autoimunes e processos inflamatórios também podem provocar esse sintoma.

Por isso, a avaliação médica é fundamental. Quando há suspeita de linfoma de Hodgkin, exames de imagem e biópsia do linfonodo costumam ser necessários para confirmar o diagnóstico.

O linfoma de Hodgkin tem cura?

De acordo com Bigni, sim. O linfoma de Hodgkin é considerado um dos tipos de câncer com melhores taxas de resposta ao tratamento.

As opções terapêuticas variam conforme o estágio da doença e podem incluir quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e, em situações específicas, transplante de medula óssea.

Parreira trava há anos uma batalha contra um linfoma de Hodgkin. Em 2024, o ex-comandante da seleção brasileira apresentou uma melhora significativa após passar por sessões de quimioterapia.

Desde o diagnóstico, o treinador tem mantido acompanhamento médico constante e recebido apoio de familiares, amigos e pessoas ligadas ao futebol.

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