Anvisa proíbe cinco canetas emagrecedoras no Brasil (Freepik)
Redatora
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 16h53.
A retatrutida é uma substância em estudo para o tratamento da obesidade, mas não é autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso ou comercialização no Brasil. A agência determinou nas últimas semanas a apreensão e a proibição imediata de produtos que utilizam a molécula após identificar venda irregular, sem registro sanitário.
A decisão também incluiu produtos à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, quando vendidos por marcas sem autorização. Segundo a Anvisa, os itens eram anunciados em redes sociais, como o Instagram, sem qualquer cadastro ou aprovação oficial.
A retatrutida é um medicamento injetável apresentado em formato de caneta. A substância atua como triplo agonista hormonal, sendo análoga ao GLP-1, ao GIP e ao glucagon, hormônios ligados ao controle da saciedade e do metabolismo.
Essa ação combinada torna o composto potencialmente mais eficaz do que medicamentos já conhecidos, como a tirzepatida, a semaglutida e a liraglutida, que atuam em menos vias hormonais.
Segundo especialistas, a retatrutida ainda está em fase de estudos clínicos em humanos. Isso significa que o processo de avaliação de segurança e eficácia não foi concluído.
Os testes seguem etapas rigorosas, com comitês de ética e monitoramento constante dos voluntários. Embora estudos iniciais indiquem perda de peso significativa, a segurança a longo prazo ainda precisa ser confirmada.
Sem a conclusão da fase 3 dos estudos, a substância não pode receber autorização de órgãos regulatórios, como a Anvisa ou o FDA.
A Anvisa alerta que produtos irregulares oferecem riscos graves à saúde, pois não há garantia de qualidade, pureza ou dosagem correta.
Especialistas destacam que medicamentos aprovados passam por testes com milhares de voluntários, o que permite identificar efeitos adversos e definir protocolos seguros de uso.
Já versões manipuladas ou de origem desconhecida podem conter impurezas, variações na composição e falhas no armazenamento, como transporte sem controle de temperatura.
Médicos reconhecem a importância de ampliar o acesso ao tratamento da obesidade. No entanto, alertam que democratização não pode significar exposição a riscos evitáveis.
Ainda de acordo com especialistas, existem alternativas terapêuticas seguras já aprovadas. O uso de substâncias sem respaldo científico ignora princípios básicos da medicina, como a proteção ao paciente.
A orientação da Anvisa é que pacientes e profissionais de saúde interrompam o uso imediato desses produtos irregulares e comuniquem o caso pelos canais oficiais da Anvisa ou às vigilâncias sanitárias locais.