Ciência

Homem abre mão de fortuna bilionária para morar em ilha deserta e plantar 16 mil árvores

Durante quase 40 anos, Brendon Grimshaw liderou um processo de restauração ecológica baseado em replantio de floresta nativa, reintrodução da fauna local

Brendon Grimshaw: o britânico que abriu mão do conforto para transformar ilha deserta em santuário para animais (YouTube/Reprodução)

Brendon Grimshaw: o britânico que abriu mão do conforto para transformar ilha deserta em santuário para animais (YouTube/Reprodução)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 20h18.

Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 20h22.

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Um britânico transformou, ao longo de décadas, uma ilha abandonada no arquipélago das Seicheles em um ecossistema regenerado, onde espécies ameaçadas vivem em liberdade. Brendon Grimshaw adquiriu a Île Moyenne, em 1962, e recusou propostas milionárias para manter a integridade ambiental do território.

Durante quase 40 anos, ele liderou um processo de restauração ecológica baseado em replantio de floresta nativa, reintrodução da fauna local e ausência total de exploração turística predatória. Apoiado por René Antoine Lafortune, morador local, Grimshaw implantou uma política de conservação ambiental com base em observação, trabalho manual e autonomia da natureza.

A Île Moyenne passou de solo árido e desabitado a modelo reconhecido de regeneração ambiental. O projeto é hoje citado por ambientalistas como exemplo de restauração sem apoio estatal nem patrocínio empresarial.

Da desolação ao refúgio ecológico

Na década de 1960, as Seicheles contavam com dezenas de ilhas economicamente promissoras, mas a Île Moyenne não era uma delas. O local apresentava erosão do solo, ausência de fauna e vegetação devastada.

Grimshaw identificou ali uma oportunidade. Com Lafortune, iniciou a abertura de trilhas e replantio de espécies nativas. Entre elas, o mogno, por sua resistência, e palmeiras, pelas funções de abrigo e alimento.

Foram mais de 16 mil árvores plantadas, segundo registros mantidos por ele. A cobertura florestal favoreceu a recuperação do solo, aumento da umidade e retorno gradual da vida selvagem.

Santuário aberto e sem cercas

A reintrodução de animais seguiu um modelo incomum: ausência total de barreiras. O destaque foi a acolhida de tartarugas-gigantes das Seicheles, espécie sob risco crítico de extinção.

Outras espécies retornaram de forma espontânea. A presença de pássaros, insetos e microrganismos refez a cadeia ecológica. Grimshaw rejeitou qualquer forma de contenção ou exibição animal, evitando transformar a ilha em atração turística.

Ao longo do tempo, a Île Moyenne consolidou-se como santuário livre. Para especialistas, o modelo reforça a tese de que a regeneração ambiental depende da restauração do habitat e da retirada da interferência humana direta.

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