Ciência

Grafeno em 1879? Thomas Edison pode ter criado o material sem saber

Estudo revela que o 'material do futuro' surgiu por acaso no século XIX, mas o inventor não tinha ferramentas para identificar a descoberta

Grafeno: estudo sugere que Thomas Edison pode tê-lo produzido em 1879 sem saber (AlexanderAlUS/Wikimedia Commons)

Grafeno: estudo sugere que Thomas Edison pode tê-lo produzido em 1879 sem saber (AlexanderAlUS/Wikimedia Commons)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 06h48.

Sem saber, Thomas Edison pode ter produzido um tipo de grafeno já em 1879, mais de um século antes de o material ser descrito teoricamente e isolado em laboratório. A hipótese foi levantada por pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, em um estudo publicado na revista ACS Nano.

A pesquisa sugere que o grafeno pode ter se formado acidentalmente nos filamentos de carbono usados nas primeiras lâmpadas elétricas, durante o aquecimento intenso gerado pelo funcionamento do equipamento. O grafeno é uma folha de carbono com apenas um átomo de espessura, conhecido por propriedades elétricas e mecânicas que o tornam promissor para aplicações tecnológicas.

O trabalho surgiu enquanto a equipe investigava formas mais baratas de fabricar grafeno. O estudante de pós-graduação Lucas Eddy, do laboratório do químico James Tour, decidiu testar se o processo histórico das lâmpadas poderia reproduzir condições semelhantes às usadas hoje em técnicas modernas de aquecimento rápido.

O experimento

Para simular o cenário do século XIX, os pesquisadores montaram lâmpadas artesanais com filamentos de carbono semelhantes aos originais. Um dos materiais associados às primeiras versões do dispositivo era o bambu japonês carbonizado, usado por Edison após testes com diferentes opções.

Segundo o estudo, as lâmpadas foram conectadas a uma fonte de corrente contínua de 110 volts, mesma tensão utilizada pelo inventor. O equipamento foi aceso por cerca de 20 segundos, reproduzindo um aquecimento rápido por efeito Joule, capaz de levar o carbono a temperaturas extremas em pouco tempo.

Após o procedimento, o filamento mudou de cor, passando de cinza opaco para um tom descrito como “prateado brilhante”. Para verificar se havia ocorrido uma transformação química, os cientistas analisaram o material por espectroscopia Raman, técnica a laser usada para identificar substâncias pela assinatura atômica.

A análise indicou a presença de grafeno turbostático, uma variante que pode se formar em condições de aquecimento extremo e repentino.

Grafeno no filamento

Mesmo com o resultado, os autores apontam que Edison não teria como reconhecer o material na época, já que o "material do futuro" ainda não existia como conceito científico. Além disso, a substância teria sido temporária: com o uso contínuo, o grafeno tende a se transformar em grafite, uma forma comum de carbono.

O estudo também destaca que, mesmo que Edison tivesse identificado o composto, as aplicações que hoje tornam o grafeno estratégico — sobretudo em tecnologia e eletrônica — ainda não faziam parte do contexto industrial do fim do século XIX.

Para os pesquisadores, o principal ponto do trabalho não é afirmar que Edison “descobriu” o grafeno, mas indicar que experimentos históricos podem ter gerado materiais incomuns sem que isso fosse percebido - por falta de instrumentos e conhecimento para interpretar esses resultados.

Acompanhe tudo sobre:GrafenoGrafiteFísica

Mais de Ciência

Vencedor do Nobel e ex-Google vai criar computador mais poderoso do mundo

Antes dos dinossauros: o fóssil gigante de 9 metros que não era planta

Júpiter 'encolheu'? Nasa recalcula tamanho do maior planeta do Sistema Solar

Pancreatite: quais canetas emagrecedoras foram citadas pela Anvisa?