Câncer: hábitos saudáveis e exames preventivos podem fazer a diferença (Solskin /Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 11h07.
Neste Dia Mundial do Câncer, celebrado nesta terça-feira, 4 , os números reforçam a dimensão do desafio no Brasil. O país registra cerca de 704 mil novos casos da doença por ano, segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023-2025.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que entre 30% e 50% dos casos podem ser prevenidos com medidas já conhecidas, como redução do tabagismo e do consumo de álcool, alimentação saudável, atividade física regular e vacinação.
“Quando falamos em câncer, muita gente pensa que é sempre genética. Não é”, afirma a Dra. Laísa Silva, oncologista do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam)
Segundo a médica, uma parcela expressiva dos tumores está diretamente ligada a fatores modificáveis. “Tabagismo, álcool, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e exposição solar sem proteção têm impacto direto no risco oncológico”, diz.
Conforme o INCA, os cânceres mais incidentes no país são os de pele, mama, próstata, cólon, reto, pulmão e estômago. Nas mulheres, o câncer de mama lidera os diagnósticos; nos homens, o de próstata.
O tabagismo é apontado como o fator isolado mais prevenível. “Parar de fumar é a medida com maior impacto na redução de risco oncológico. E vale também para quem já fumou: o corpo se beneficia com o tempo”, afirma a oncologista.
O álcool também é classificado como fator de risco estabelecido para diversos tipos de câncer. “Do ponto de vista oncológico, não há consumo totalmente isento de risco. Reduzir já ajuda. E evitar é melhor”, diz.
O câncer de pele, o mais frequente no Brasil, pode ser evitado com medidas simples, como uso de protetor solar, roupas adequadas e evitar exposição nos horários de maior radiação.
“Não se trata de dieta da moda, mas de comida de verdade, menos ultraprocessados, movimento regular e sono melhor', explica a doutora.
A vacinação é outro pilar central da prevenção. A imunização contra o HPV reduz o risco de tumores de colo do útero, orofaringe, ânus, pênis, vagina e vulva. Já a vacina contra a hepatite B previne a infecção pelo HBV, principal fator de risco para o câncer de fígado.
Além da prevenção, a detecção precoce segue como um dos principais determinantes da sobrevida. O diagnóstico em fases iniciais permite tratamentos com intenção curativa, menos agressivos e com menos efeitos colaterais.
Nos últimos anos, avanços como medicina de precisão, testes moleculares, imunoterapia e terapias-alvo ampliaram as opções terapêuticas em alguns tumores.
No Dia Mundial do Câncer, a especialista resume o consenso atual da oncologia: “Muitos casos podem ser prevenidos e muitos outros podem ser curados quando diagnosticados precocemente. Informação e cuidado contínuo fazem diferença real.”