Ciência

Corpo humano tem limite para queimar calorias, diz estudo

Pesquisa com atletas de elite aponta que o "teto" de gasto energético é uma média de 2,4 vezes a taxa metabólica basal entre seis meses e um ano

Até onde podemos ir: estudo aponta limite para gasto calórico prolongado (Getty Images)

Até onde podemos ir: estudo aponta limite para gasto calórico prolongado (Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 09h11.

Última atualização em 12 de fevereiro de 2026 às 09h12.

Um estudo publicado na revista Current Biology identificou o limite máximo de calorias que o corpo humano consegue queimar por longos períodos. Esse teto fica, em média, em cerca de 2,5 vezes a taxa metabólica basal (TMB) do indivíduo, mesmo entre atletas de elite.

A TMB, no caso, é a quantidade mínima de energia que o corpo precisa para manter funções vitais em repouso. É a energia que ele gasta para respirar, regular a temperatura corporal e manter os órgãos funcionando, por exemplo.

O estudo foi conduzido por cientistas americanos e acompanhou 14 atletas de endurance, que praticam esportes de resistência que exigem esforço físico prolongado — como corredores, ciclistas e triatletas — durante competições e períodos de treinamento.

Em momentos de esforço máximo, como corridas de vários dias, os atletas chegaram a atingir gastos energéticos entre seis e sete vezes a TMB, o equivalente a cerca de 7 mil a 8 mil calorias por dia. Em uma corrida de quase 24 horas, foi registrado gasto superior a sete vezes a taxa basal.

Apesar desses picos, quando os pesquisadores calcularam a média do gasto calórico por períodos mais longos, entre 30 e 52 semanas, os resultados se estabilizaram próximo de 2,4 vezes a TMB, cerca de 4 mil calorias diárias. Apenas quatro atletas superaram esse nível de forma moderada, chegando a cerca de 2,7 vezes a taxa basal.

Compensações

O estudo também identificou que o corpo ativa mecanismos para evitar gastos energéticos insustentáveis. À medida que os atletas intensificavam os exercícios, o organismo automaticamente economizava energia em outras áreas.

Os atletas sentiam mais fadiga e perceberam a redução de movimentos involuntários, por exemplo. "Seu cérebro tem uma influência muito poderosa sobre o quanto você se mexe, o quanto você quer se movimentar e o quanto você se sente motivado a tirar uma soneca", afirma Andrew Best, autor principal do estudo e antropólogo do Massachusetts College of Liberal Arts.

Best, que também é atleta de resistência, explica que ultrapassar o limite por períodos curtos não causa problemas. "Você pode compensar depois", diz. "Mas a longo prazo, é insustentável porque seu corpo começará a degradar seus músculos e você vai encolher."

Metodologia e limitações

Os participantes beberam água enriquecida com deutério e oxigênio-18, que seriam moléculas "mais pesadas" de hidrogênio e oxigênio que funcionam como marcadores metabólicos. A equipe acompanhou a velocidade de eliminação dessas moléculas pela urina para determinar a quantidade de dióxido de carbono exalada e estimar o gasto calórico total.

A pesquisa teve uma amostra de 14 atletas de elite, majoritariamente homens entre 30 e 44 anos — apenas duas participantes eram mulheres. Os autores reconhecem que indivíduos com desempenho excepcionalmente alto podem não ter sido incluídos.

Para a população geral, o limite identificado está distante da realidade. "Para a maioria de nós, nunca vamos atingir esse limite metabólico", afirma Best. "É preciso correr cerca de 18 quilômetros por dia, em média, durante um ano, para atingir 2,5 vezes a taxa metabólica basal. A maioria das pessoas, inclusive eu, se lesionaria antes que qualquer tipo de limite energético entrasse em jogo."

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