Artemis: segunda missão vai levar tripulantes à orbita da Lua (AFP/Reprodução)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 15h21.
Após sucessivos adiamentos no cronograma, a Nasa se prepara para lançar a Artemis II, primeira missão tripulada com destino à Lua desde o encerramento do programa Apollo, em 1972. O voo está previsto para 8 de fevereiro, condicionada ao clima e às etapas finais de preparação no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
A missão levará quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, lançada pelo foguete SLS (Space Launch System), considerado o mais poderoso já desenvolvido pela agência. Diferentemente da Artemis I, realizada em 2022 sem tripulação, esta etapa contará com humanos em um sobrevoo lunar histórico.
A viagem terá duração aproximada de 10 dias e não inclui pouso na superfície lunar. O plano prevê uma trajetória de retorno livre, na qual a gravidade da Terra e da Lua conduz a espaçonave de volta sem necessidade de grandes manobras de propulsão.
Durante o voo, a tripulação testará sistemas críticos da Orion em ambiente de espaço profundo, incluindo suporte de vida, comunicações, navegação e controle manual. A missão é considerada essencial antes de uma tentativa de pouso lunar.
Os tripulantes são Reid Wiseman, comandante; Victor Glover, piloto; Christina Hammock Koch, especialista de missão; e o canadense Jeremy Hansen, também especialista. A missão também é um marco para a diversidade e a representatividade, com o objetivo de levar a primeira mulher, o primeiro homem negro e o primeiro não americano à Lua.
O programa Artemis é liderado pela Nasa e prevê uma série de missões progressivas ao redor e na superfície da Lua. O objetivo é estabelecer, a longo prazo, uma presença humana permanente em solo lunar e permitir que a Lua funcione como um "trampolim" para futuras missões tripuladas à Marte.
A Artemis III, prevista para (no mínimo) 2027, deve marcar o retorno de astronautas à superfície da Lua, com pouso na região do polo sul lunar. Já as missões seguintes incluem a construção da estação espacial Gateway, que deverá orbitar o satélite e servir como base para expedições de longa duração.
A cápsula Orion foi projetada para suportar o ambiente do espaço profundo e conta com um módulo de serviço desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, responsável por propulsão, energia, controle térmico e fornecimento de oxigênio e água à tripulação.
O nome Ártemis foi escolhido porque, na mitologia grega, a figura é irmã gêmea de Apolo, e deusa da Lua, da castidade, da caça, do parto e dos animais selvagens.
Os atrasos da Artemis II estão ligados a revisões de segurança após a Artemis I. Análises identificaram desgaste inesperado no escudo térmico da cápsula durante a reentrada em 2022, levando a mais de 100 testes adicionais e à alteração do perfil de reentrada para reduzir riscos.
Além disso, sistemas de suporte à vida passaram por avaliações extras, e o ensaio final do lançamento, conhecido como Wet Dress Rehearsal, ainda precisa ser concluído. Condições climáticas adversas na Flórida também influenciaram o cronograma.
Segundo a Nasa, a prioridade é a segurança da tripulação. Se bem-sucedida, a Artemis II será um marco da nova fase da exploração espacial humana e um passo decisivo rumo ao retorno à Lua e a futuras missões a Marte.