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Como funciona a molécula que pode 'matar de fome' células cancerígenas

Cientistas explicam atuação de composto que interfere no funcionamento celular

Representação de célula cancerígena (Getty Images)

Representação de célula cancerígena (Getty Images)

Publicado em 25 de março de 2026 às 11h53.

Uma molécula capaz de interferir no metabolismo de células cancerígenas sem afetar tecidos saudáveis foi identificada por cientistas das universidades de Genebra e Marburg. A descoberta, publicada na revista Nature Metabolism, surge como uma nova estratégia no combate ao câncer, embora ainda esteja em fase inicial.

O estudo aponta que a substância pode desacelerar o crescimento tumoral ao bloquear processos essenciais para a produção de energia das células doentes.

Como funciona a molécula

A pesquisa se concentra na D-cisteína, uma versão “espelhada” de um aminoácido comum no organismo. Diferente da forma tradicional utilizada pelo corpo, essa variação tem comportamento distinto ao interagir com células.

Os cientistas observaram que algumas células tumorais possuem um tipo específico de transportador que facilita a entrada dessa molécula. Já células saudáveis, em geral, não apresentam a mesma característica.

Uma vez dentro da célula cancerígena, a D-cisteína interfere na ação da enzima NFS1, ligada ao funcionamento das mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia. Com esse bloqueio, a célula perde capacidade de gerar energia, acumula falhas e deixa de se multiplicar.

Por que a molécula atinge células tumorais

O principal diferencial da estratégia está na sua atuação mais direcionada. Como a molécula depende de um mecanismo específico presente em maior quantidade nas células tumorais, o impacto tende a ser concentrado no tecido doente.

Nos testes com camundongos, os pesquisadores observaram redução no crescimento de tumores agressivos, sem sinais relevantes de toxicidade em tecidos saudáveis.

Esse comportamento indica um potencial avanço em relação a tratamentos tradicionais, que costumam afetar também células saudáveis que se dividem rapidamente.

O que ainda falta?

Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que a descoberta ainda está distante da aplicação clínica.

Até o momento, os testes foram realizados apenas em laboratório e em modelos animais. Para se tornar um tratamento, a substância precisa passar por ensaios clínicos em humanos, que avaliam segurança, dosagem e eficácia.

Além disso, nem todos os avanços iniciais se confirmam na prática médica, o que exige cautela na interpretação dos resultados.

A estratégia não atua necessariamente destruindo as células cancerígenas, mas reduzindo sua capacidade de crescimento. Por isso, uma das possibilidades estudadas é o uso da molécula como terapia complementar.

Nesse cenário, ela poderia ajudar a retardar a progressão do tumor e aumentar a eficácia de tratamentos já existentes.

Os próximos passos incluem a realização de estudos clínicos para verificar se o mecanismo observado em laboratório pode ser replicado com segurança em humanos.

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