Albert Einstein (Universal History Archive/Colaborador/Getty Images)
Redatora
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 11h43.
O cérebro de Albert Einstein teve um destino incomum após sua morte, em 18 de abril de 1955, nos Estados Unidos. Apesar do desejo expresso de que seu corpo fosse totalmente cremado, o órgão foi removido durante a autópsia e preservado para estudos científicos, dando início a uma das histórias mais singulares da ciência moderna.
Segundo registros históricos reunidos pela Encyclopaedia Britannica, a decisão foi tomada pelo patologista Thomas Harvey, responsável pela autópsia realizada em Princeton, Nova Jersey. Sem autorização prévia de Einstein, Harvey reteve o cérebro e, posteriormente, obteve consentimento do filho do físico, Hans Albert Einstein, com o argumento de que o órgão poderia ajudar a explicar a origem biológica da genialidade.
Pouco tempo depois, Harvey perdeu o emprego no hospital onde trabalhava. Ainda assim, manteve o cérebro sob sua posse por décadas. O órgão viajou com ele por diferentes estados americanos, incluindo Filadélfia, Kansas e Missouri, sendo armazenado em frascos e, por longos períodos, mantido em seu próprio porão.
Ao longo dos anos, pequenas partes do cérebro foram enviadas a pesquisadores interessados, mas nenhuma pesquisa relevante foi publicada até 1985 — cerca de 30 anos após a morte de Einstein. O primeiro estudo surgiu a partir de análises feitas por um neurocientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).
O principal objetivo das pesquisas era identificar diferenças anatômicas que explicassem a extraordinária capacidade intelectual de Einstein. Um estudo publicado em 2012 apontou particularidades no cérebro do físico, como a presença de um sulco adicional no lobo frontal, região associada à memória, planejamento e raciocínio complexo.
Apesar dessas observações, os próprios cientistas reconhecem que não é possível estabelecer uma relação direta entre essas características e a genialidade. O formato e a estrutura do cérebro variam naturalmente entre indivíduos, e análises isoladas não permitem conclusões definitivas.
Na década de 1990, Harvey devolveu as partes remanescentes do cérebro ao Centro Médico da Universidade de Princeton, o mesmo local onde Einstein morreu. Atualmente, fragmentos do órgão estão preservados em instituições acadêmicas e algumas partes podem ser vistas no Museu Mütter, na Filadélfia.
Mesmo após mais de quatro décadas de estudos, o cérebro de Einstein não revelou um “segredo biológico” da inteligência. Especialistas afirmam que, para compreender possíveis bases neurológicas da genialidade, seria necessário analisar centenas de cérebros de pessoas com perfis semelhantes — algo que nunca foi feito.
Até hojeo cérebro de Einstein continua sendo mais um símbolo da curiosidade científica do que uma resposta concreta sobre a origem da inteligência humana.