Ciência

Cães aprendem palavras de forma semelhante às crianças, aponta estudo

Pesquisa científica revela que certos cachorros assimilam nomes de objetos sem serem ensinados diretamente

Cachorro: pesquisa indica que a aprendizagem verbal em cães pode ocorrer sem interação ativa (harpazo hope/Getty Images)

Cachorro: pesquisa indica que a aprendizagem verbal em cães pode ocorrer sem interação ativa (harpazo hope/Getty Images)

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 14h43.

Os cães com "vocabulário" amplo de nomes de objetos podem aprender novas palavras apenas ouvindo humanos conversarem. A conclusão faz parte de um estudo publicado na revista científica Science, conduzido por pesquisadoras da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria.

A pesquisa analisou cachorros identificados como “aprendizes talentosos de palavras”, capazes de reconhecer diversos brinquedos pelo nome. Esses animais aprenderam novos rótulos de objetos sem treinamento direto. O processo ocorreu apenas pela escuta de diálogos entre pessoas, de maneira semelhante ao observado em bebês humanos por volta dos 18 meses de idade.

Segundo a pesquisa, essa habilidade não se limita à compreensão de comandos cotidianos, mas envolve a associação entre um nome e um objeto específico.

Aprendizagem por escuta passiva

Os experimentos compararam duas situações: interação direta com o animal e aprendizagem passiva, quando o cão apenas observa tutores conversando entre si sobre um brinquedo novo. Em ambos os casos, os cachorros conseguiram identificar corretamente os objetos após o período de exposição.

Sete dos dez animais testados conseguiram buscar o brinquedo novo apenas ao ouvir o nome. O desempenho foi semelhante ao observado em testes com comunicação direta.

A pesquisa também testou um cenário mais complexo, no qual o objeto era nomeado fora do campo de visão do animal. Cinco dos oito cães avaliados associaram corretamente o nome ao objeto mesmo sem vê‑lo.

Esse padrão de aprendizagem é comparável ao processo descrito em estudos de desenvolvimento infantil, no qual bebês aprendem novas palavras ouvindo interações entre adultos, sem serem o foco da comunicação.

Habilidade restrita

Os autores também aplicaram os testes em cães considerados típicos. Nesse grupo, a aprendizagem não foi observada, o que indica que a habilidade é rara e não pode ser generalizada para a população canina.

A literatura científica define esses cães como “aprendizes talentosos de palavras”. Esses animais demonstram vocabulário extenso e habilidade para adquirir rótulos novos sem treinamento formal.

A análise apontou que a origem dessa capacidade ainda não é clara e pode envolver fatores individuais, ambientais ou genéticos.

Habilidades sociocognitivas

Os resultados sugerem que a aprendizagem passiva envolve mecanismos sociocognitivos próximos aos usados por crianças pequenas. Esses mecanismos incluem atenção conjunta, observação contextual, segmentação de palavras e interpretação de intenções humanas.

A pesquisa destaca ainda que cães podem recorrer a diferentes estratégias para anexar palavras a objetos, incluindo pistas verbais e não verbais. Em testes de memória, os animais conseguiram manter as associações por pelo menos duas semanas.

Segundo as autoras, demonstrar aprendizagem por escuta em cães indica que certas habilidades sociocognitivas ligadas à linguagem podem ter surgido antes da própria linguagem humana.

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