Burnout: estudo aponta sinais ligados à sobrecarga cognitiva e ao esgotamento do cérebro ao longo do tempo (Yasser Chalid/Getty Images)
Redatora
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 07h11.
O burnout costuma ser associado a um colapso visível, com queda brusca de desempenho e incapacidade de seguir a rotina. Mas especialistas alertam para um tipo mais difícil de identificar: o burnout de alta performance, quando a pessoa continua entregando resultados, mantendo a produtividade e aparentando controle, mesmo com sinais de esgotamento mental.
A neuropsicóloga Julie Hook, da Northwestern University, destacou à revista Inc que esse padrão é mais comum entre profissionais exigentes e que evitam demonstrar limites. A avaliação é que o cérebro pode permanecer por longos períodos no “modo execução”, enquanto funções como foco, memória e regulação emocional começam a falhar.
O resultado costuma aparecer em sintomas discretos, como mente confusa, lapsos de memória e dificuldade para tarefas simples. Mesmo assim, o profissional segue cumprindo prazos, participando de reuniões e mantendo a imagem de eficiência no trabalho.
O burnout de alta performance pode ser confundido com estresse, cansaço ou uma fase de sobrecarga. A diferença, segundo Hook, é a persistência dos sinais e a sensação de operar no limite por longos períodos, mesmo sem interrupção do desempenho.
Entre os sintomas citados, estão:
Especialistas apontam que a memória de trabalho tende a ser uma das primeiras funções afetadas pelo estresse prolongado. Por isso, a pessoa pode manter a capacidade técnica e, ao mesmo tempo, apresentar falhas em detalhes básicos, como esquecer objetos, compromissos e pequenas tarefas.
Outro ponto destacado é que a regulação emocional e o controle cognitivo compartilham recursos do cérebro. Na prática, isso pode explicar um comportamento frequente: manter postura e desempenho no trabalho, mas perder tolerância e energia emocional ao longo do dia.
O alerta é que o burnout nem sempre aparece como uma quebra imediata. Em muitos casos, ele se instala de forma gradual e silenciosa, enquanto a produtividade continua alta.
Entre as recomendações citadas estão períodos reais de descanso sem estímulos contínuos, redução de tarefas pendentes e revisão de expectativas pessoais.