Repórter
Publicado em 29 de agosto de 2026 às 15h04.
Última atualização em 29 de agosto de 2026 às 15h07.
Pesquisadores identificaram evidências de que uma área atualmente árida do "Planalto de Abu-Tartur", no Egito, já abrigou um ambiente marinho com diferentes espécies de tubarões extintos. Os fósseis encontrados na região indicam que o local, hoje dominado por uma paisagem desértica, fazia parte de um ecossistema aquático há milhões de anos, durante o período Mesozoico.
O estudo foi conduzido pela equipe liderada por Tarek Yassin e publicado na revista científica "Cretaceous Research". A pesquisa analisou um leito de "fosfato", depósito mineral formado por sedimentos ricos em fósseis, e identificou registros de pelo menos cinco espécies de tubarões que não existem mais.
Os animais viveram entre 100 milhões e 66 milhões de anos atrás, durante o período conhecido como Cretáceo, fase final da era Mesozoica. Segundo os pesquisadores, a presença desses fósseis está relacionada às transformações geológicas causadas pela fragmentação de Gondwana, megacontinente do hemisfério sul que fazia parte da antiga Pangeia.
O processo de separação dos continentes alterou a distribuição dos oceanos e das áreas terrestres, criando ambientes que posteriormente passaram por mudanças até formar regiões áridas como as encontradas atualmente no norte da África.A análise também revelou diferenças entre áreas próximas. No chamado "Deserto do Sudoeste", os pesquisadores encontraram fósseis associados principalmente a animais terrestres. Já na "Formação Duwi", localizada no Planalto de Abu-Tartur, os registros indicam um antigo ambiente marinho, com restos de organismos que dependiam de oceanos para sobreviver.
Entre os fósseis identificados estão exemplares do hibodontiforme Asteracanthus aegyptiacus, um grupo extinto de peixes cartilaginosos, além de dentes de elasmobrânquios, categoria que reúne tubarões e raias. A pesquisa também registrou fósseis de tubarões lamniformes, grupo que inclui espécies conhecidas atualmente, como o tubarão-branco, representados pelos gêneros Scapanorhynchus e Cretoxyrhina.
A descoberta contribui para pesquisas sobre a "paleodiversidade", estudo da variedade de organismos que viveram em períodos geológicos antigos, e sobre as condições ambientais existentes durante o Cretáceo Superior.
Os fósseis encontrados em Abu-Tartur permitem analisar aspectos estratigráficos, cronológicos e paleoambientais da região, ajudando a reconstruir como era a distribuição da vida marinha no norte da África há milhões de anos.A análise das camadas de rochas onde os fósseis foram encontrados também permite compreender as mudanças geológicas que transformaram antigas áreas oceânicas em paisagens desérticas. O material coletado na região segue como fonte de informações para estudos sobre a evolução dos ecossistemas marinhos e as alterações do planeta ao longo do tempo.