Fones Bluetooth: pesquisa usa inteligência artificial para mapear possíveis fatores de risco à saúde e levanta debate entre especialistas (Google/Divulgação)
Redatora
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 07h42.
O uso prolongado de fones de ouvido Bluetooth foi associado ao aumento do risco de nódulos na tireoide. Pelo menos foi isso que apontou um estudo publicado na revista Scientific Reports. A pesquisa analisou dados de 600 usuários, com aplicação de inteligência artificial para identificar fatores associados ao problema.
A repercussão foi imediata nas redes sociais, com vídeos que apresentaram o resultado como evidência de risco. No entanto, especialistas e os próprios autores afirmam que o estudo não estabelece causalidade. A análise mostra apenas que os fatores aparecem com frequência, sem indicar se um provoca diretamente o outro.
Os pesquisadores utilizaram questionários epidemiológicos e modelos de machine learning para comparar usuários e não usuários de fones Bluetooth. Após ajuste estatístico, idade e tempo diário de uso foram os fatores mais associados ao risco identificado. Embora o modelo tenha apresentado precisão elevada (AUC 0,95) dentro do conjunto de dados analisado, os resultados devem ser lidos com cautela.
A glândula tireoide foi citada como órgão sensível à radiação não ionizante, categoria que inclui Bluetooth, Wi-Fi e celulares. Contudo, os autores reforçam que as evidências em humanos ainda são limitadas. Além disso, a pesquisa apresenta limitações importantes: dados autodeclarados pelos participantes, amostra concentrada em jovens e ausência de validação clínica presencial.
Para estabelecer uma relação direta, seriam necessários estudos prospectivos de longo prazo e replicação em populações distintas.
Para otorrinolaringologistas, o principal risco dos fones continua sendo a saúde auditiva. O maior impacto está ligado ao volume do som e ao tempo de exposição. Modelos intra-auriculares, por exemplo, concentram mais energia sonora no canal auditivo, aumentando o risco de danos.
Na endocrinologia, a orientação é de cautela. As sociedades médicas ressaltam que não há recomendação para rastrear a população em busca de nódulos com base apenas nesse artigo. A radiação emitida pelo Bluetooth é de baixa energia (não ionizante), incapaz de danificar o DNA.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há evidências consistentes de efeitos adversos à saúde dentro dos limites de frequência estabelecidos (2,4 GHz).
Para garantir a prevenção auditiva, especialistas recomendam a regra 60/60, válida para fones com ou sem fio: