Universo: câmera LSST será responsável por registrar imagens contínuas do céu ao longo de 10 anos (Getty Images)
Redatora
Publicado em 29 de dezembro de 2025 às 18h59.
A maior câmera digital já construída para a astronomia está pronta para iniciar o que seus criadores chamam de “o maior filme do universo”.
Com 3.200 megapixels, o equipamento será responsável por registrar imagens contínuas do céu ao longo de 10 anos, criando um retrato detalhado e dinâmico do Universo. A câmera integra o levantamento Legacy Survey of Space and Time (LSST), que começa a operar ainda este ano.
Após quase duas décadas de desenvolvimento, o equipamento foi concluído por engenheiros e cientistas do Laboratório Nacional de Aceleradores SLAC, nos Estados Unidos. A câmera será instalada no Observatório Vera C. Rubin, localizado no topo do Cerro Pachón, no Chile, a mais de 2.700 metros de altitude. Acoplada ao Telescópio de Pesquisa Simonyi, o aparelho fará observações repetidas do céu do hemisfério sul.
Diferentemente de telescópios que produzem imagens isoladas, o projeto foi concebido para acompanhar mudanças ao longo do tempo. A proposta é transformar o céu em uma sequência contínua de registros, capaz de revelar desde explosões de estrelas até o deslocamento de asteroides próximos da Terra.
O gerente adjunto do projeto da câmera LSST, Travis Lange, ilumina o interior da Câmera LSST com uma lanterna — uma câmera gigantesca do tamanho de um carro pequeno. (Reprodução/SLAC National Accelerator Laboratory)
A câmera do LSST tem dimensões comparáveis às de um carro pequeno e pesa cerca de três toneladas. Seu plano focal reúne sensores alinhados com precisão extrema, permitindo captar detalhes muito sutis do céu profundo.
Segundo os pesquisadores, a resolução é suficiente para identificar uma bola de golfe a mais de 20 quilômetros de distância, enquanto cobre uma área do céu várias vezes maior que a da Lua cheia.
Cada imagem será obtida com exposições de 15 segundos, seguidas por um curto período de leitura dos sensores. Esse processo, mais lento e controlado, reduz interferências e ruídos, permitindo observar objetos extremamente tênues.
Para garantir a qualidade dos dados, parte do sistema opera a temperaturas próximas de -100 °C, o que minimiza a atividade térmica nos sensores.
Ao longo de 10 anos, o levantamento deverá registrar bilhões de estrelas e galáxias, criando um banco de dados sem precedentes. Um dos principais objetivos é estudar a matéria escura e a energia escura, componentes invisíveis que influenciam a estrutura e a expansão do Universo.
As imagens também permitirão observar efeitos de lentes gravitacionais, fenômenos causados pela curvatura da luz devido à gravidade de grandes massas cósmicas.
Além da cosmologia, o projeto terá impacto direto no estudo do Sistema Solar. Os pesquisadores estimam que o número de asteroides e outros corpos conhecidos pode aumentar em até 10 vezes, ampliando o monitoramento de objetos que passam nas proximidades da Terra.
Todos os dados coletados serão disponibilizados à comunidade científica internacional, o que deve acelerar descobertas e permitir a participação de universidades, centros de pesquisa e cientistas cidadãos.
A expectativa é que o levantamento se torne uma referência para a astronomia nas próximas décadas.