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Será o fim dos estilistas estrelas das marcas de moda de luxo?

A Gucci mostrou uma transição de estilo na Semana de Moda de Milão, enquanto a Louis Vuitton tem trabalhado com diretores convidados pontualmente

Desfile da Gucci na Semana de Moda de Milão (Gucci/Reprodução)

Desfile da Gucci na Semana de Moda de Milão (Gucci/Reprodução)

Ivan Padilla

Ivan Padilla

Publicado em 17 de janeiro de 2023 às 14h06.

O desfile da Gucci na Semana de Moda de Milão, apresentada na sexta-feira passada, chamou a atenção pelos motivos opostos aos dos últimos anos. Foi uma coleção com silhuetas folgadas, muito amplas, dos casacos às calças desabadas, em tons terrosos ou pasteis.

Tudo com muita informação de moda, mas muito minimalista para quem estava acostumado ao visual brecholento e extravagante do ex-diretor criativo Alessandro Michele. Parece uma transição de estilo, conduzida por uma equipe interna, sem um nome forte à frente.

O que nos remete a uma discussão levantada pela Casual EXAME na edição de dezembro: os estilistas ficarão maiores do que as marcas?

De qual Gucci você gosta?

Nos quatro anos em que ficou no cargo, conseguiu criar apelo para as novas gerações ao aproximar a vestimenta da música e do universo das ruas. No mês passado, a Gucci anunciou o rompimento com o diretor criativo Alessandro Michele. Em 2015, ano em que entrou, a marca faturou 3,9 bilhões de euros.

Em 2022 esse número deverá ficar em 10 bilhões de euros, equivalente a dois terços do total do grupo Kering. Michele quebrou paradigmas com uma moda maximalista, uma estética brecholenta cheia de estampas, o oposto do que se considerava seguro até então para uma marca de luxo.

Não se sabe ainda o motivo de sua saída, mas aventa-se um fato: ele estava ficando maior do que a marca. Esse é o poder dos estilistas hoje, potencializado pela exposição nas redes sociais. Os aficionados por moda não gostam apenas da Gucci: gostam da Gucci do tempo de Tom Ford, de Frida Giannini, de Alessandro Michele.

O successor de Abloh

Algo parecido acontece com a Louis Vuitton. Imagine um cargo de direção criativa de uma marca de moda ficar vago por mais de um ano. É o que vem acontecendo com a linha masculina da grife francesa. Virgil Abloh morreu em novembro de 2021, e até agora a grife francesa não conseguiu encontrar um nome à altura para substituí-lo. Abloh foi o primeiro estilista negro a comandar a marca.

De lá para cá a Louis Vuitton tem trabalhando com convidados para seus desfiles. A coleção masculina outono/inverno 2023, que será apresentada nesta próxima quinta-feira 19 de janeiro na Semana de Moda de Paris, terá cenografia de Lina Kutsovskaya e dos diretores franceses Michel e Olivier Gondry.

Outras parcerias têm dado muito resultado, como a colaboração recente com a artista japonesa Yayoi Kusama, em uma campanha estrelada pela brasileira Gisele Bündchen.

Novo CEO, novo diretor criativo: o que esperar da Louis Vuitton em 2023?

Mas pela primeira vez a marca chamou um designer de passarela, o que compreensivelmente causou burburinho. Trata-se do americano Colm Dillane, fundador da marca KidSuper, um novato com apenas dois desfiles na Semana de Moda de Paris.

O jovem designer tem alguns pontos de interesse para a Louis Vuitton. Assim como Abloh, ele vem do streetstyle, gosta de trabalhar em colaborações e tem capacidade para construir comunidades. Assumir apenas pontualmente a direção criativa da linha masculina tira da marca a pressão de nomear um substituto para o anterior diretor criativo.

Enquanto a Gucci conduz uma mudança sem um novo diretor criativo, a Louis Vuitton passa o recado de que não tem pressa e nem precisa de um nome de peso para trazer prestígio. Se isso significa uma tendência ou se nomes tão ou mais fortes que Michele e Abloh virão é a aposta do momento no mundo da moda.

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