Por que muitas empresas estão optando por prédios horizontais?

Em vez de torres com dezenas de andares, prédios que ocupam vários quarteirões estão em alta; um dos motivos é a facilidade de integração entre funcionários

O icônico arranha-céu de escritórios urbano ainda cativa, oferecendo vistas de cair o queixo e a emoção de estar nas nuvens. Mas seu oposto – uma construção tão horizontal quanto um arranha-céu é vertical – vem chamando a atenção: abra caminho para o prédio horizontal.

Não há definição fácil e rápida para esses edifícios, que alguns descrevem vagamente como 92.903 ou mais metros quadrados com apenas alguns andares. Essas estruturas que abraçam a terra são tradicionalmente consideradas menos atraentes que seus irmãos que chegam às alturas, mas nos últimos anos se tornaram desejáveis.

As empresas de tecnologia do Vale do Silício há muito adotaram a abordagem horizontal. Seus chamados campi também foram comparados a parques de escritórios corporativos suburbanos, que caíram em desfavor anos atrás, criticados por contribuir para a expansão num momento em que o uso eficiente dos recursos exige a urbanização. Transforme-se em um líder de inovação! Conheça o curso Inovação na Prática

Ainda assim, alguns aspectos desses edifícios – como a capacidade de chegar aos escritórios pelas escadas, em vez de elevadores – se tornaram duplamente atraentes durante a pandemia.

"O interesse pelo prédio horizontal reflete nossa visão evolutiva sobre como nos reunimos em espaços de escritório", disse Sam Chandan, reitor do Instituto Schack de Imóveis da Escola de Estudos Profissionais da Universidade de Nova York.

Pegue, por exemplo, o edifício dos Correios em Chicago. Construído entre 1921 e 1932, o prédio de nove andares tem três quarteirões de comprimento e um quarteirão de largura. Se fosse posto de pé, seria o equivalente a um prédio de 64 andares. A construção art déco foi o principal centro de triagem de correspondências até 1997, e depois disso ficou vazia por duas décadas.

A empresa imobiliária 601W Companies comprou o elefante branco por US$ 130 milhões em 2016 e gastou US$ 670 milhões a mais em um projeto anunciado como o maior redesenvolvimento nos EUA. Trabalhando com a empresa de design Gensler, a incorporadora converteu a estrutura de 232.257 metros quadrados em um espaço de escritório com pé-direito de até 5,8 metros e restaurou o gradil de bronze.

Os andares amplos e abertos do prédio permitem que os inquilinos tenham todos os funcionários em um único nível. Isso incentiva a comunicação entre os departamentos e reforça a cultura da empresa de uma forma que não é possível quando os funcionários ficam divididos em vários andares de um arranha-céu, explicou Brian Whiting, presidente do Grupo Telos, encarregado da locação. "Somos competitivos em matéria de escritórios classe A", observou Whiting, referindo-se ao espaço de alta qualidade, normalmente em um local central.

Outro marco de Chicago, conhecido como Merchandise Mart, às vezes é chamado de o primeiro prédio horizontal dos EUA. Inaugurado em 1930, ele abrange dois quarteirões da cidade.

O Pentágono, em Arlington, na Virgínia, é outro exemplo. Construída em 1942, a estrutura de cinco lados e cinco andares abrange cerca de 11,7 hectares.

Mas em áreas urbanas densamente desenvolvidas, onde a terra é cara, sempre fez sentido construir verticalmente, especialmente depois do advento dos elevadores elétricos.

Os prédios horizontais construídos neste século têm formas impressionantes. O Vanke Center, em Shenzhen, na China – que foi projetado pela Steven Holl Architects para abrigar apartamentos e um hotel, além de escritórios –, consiste de segmentos angulares e interconectados sobre colunas. Em Frankfurt, na Alemanha, um edifício de escritórios suavemente curvo chamado Squaire foi erguido sobre uma linha ferroviária do aeroporto e parece quase um trem de alta velocidade que acabou de entrar na estação.

E o Google está planejando um prédio de 11 andares em Londres.

Nos Estados Unidos, os campi de empresas de tecnologia como Facebook e Google podem acomodar vastos espaços de encontro para trabalho colaborativo e reuniões, além de interiores frequentemente abertos em áreas ao ar livre com paisagismo que oferecem mais lugares para trabalhar e passar algum tempo. A "Nave Espacial" em forma de anel da Apple em Cupertino, na Califórnia, tem apenas quatro andares, mas mais de 1,6 quilômetro de circunferência, e circunda um parque de 12 hectares.

Esses campi enormes, entretanto, estão no centro de um debate sobre a expansão suburbana e a habitação acessível. São acusados de piorar a crise imobiliária na Califórnia, elevando os preços das casas próximas, causando gentrificação e contribuindo para o aumento da falta de moradia.

Em Nova York, a Vornado Realty Trust está reformando o Edifício James A. Farley, antiga agência do correio que ocupa dois quarteirões duplos. A construção, um marco de cinco andares no centro de Manhattan, foi projetada por McKim, Mead & White e erguida em 1913. Em agosto, o Facebook alugou todos os seus 67.819 metros quadrados – o maior contrato de locação em Nova York até agora este ano.

Esses projetos de reutilização adaptável, no entanto, em geral não se localizam em um distrito comercial central, mas ficam afastados, em locais onde ainda há prédios antigos da era industrial.

Ao sul do Edifício Farley, duas antigas estruturas de transporte ferroviário perto do rio Hudson estão sendo transformadas em escritórios. Em ambos os casos, vários andares serão adicionados no topo dos edifícios históricos.

Em Chelsea, a L&L Holding Co. e a Columbia Property Trust planejam converter o Terminal Warehouse, que foi erguido em 1891 e ocupa cerca de 213 metros por 61 metros. E, na Hudson Square, o Oxford Properties Group e o Canadian Pension Plan Investment Board estão reinventando o Terminal St. John's, de três andares, que foi construído em 1934 e se estende por mais de dois quarteirões. O Google já alugou o prédio.

A CookFox Architects está trabalhando em ambos os projetos, e Richard A. Cook, sócio-fundador da empresa com sede em Nova York, disse que apreciava os prédios horizontais por sua conexão com a rua. "Trata-se de integrar o local de trabalho ao bairro, não ao horizonte", afirmou ele.

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