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O responsável por transformar o Sudeste no Eldorado do vinho

A impressionante história de José Afonso Davo, que nasceu em casa de chão batido e hoje produz respeitáveis tintos de inverno

José Afonso Davo: segundo maior viticultor do Sudeste adequou variedades francesas ao Brasil (Catarina Bessell/Exame)

José Afonso Davo: segundo maior viticultor do Sudeste adequou variedades francesas ao Brasil (Catarina Bessell/Exame)

Alexandra Forbes
Alexandra Forbes

Colunista de Vinhos

Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 08h10.

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José Afonso Davo, segundo maior viticultor do Sudeste, cresceu em uma casinha de chão batido na fazenda onde o pai era empregado, em Itupeva, interior de São Paulo. Começou a empreender aos 14 anos, tirando areia do rio com uma draga. Aos 16, esticou a rede elétrica em 1 quilômetro até onde moravam, fincando postes e tudo. “Para minha mãezinha poder ver a novela”, diz.  

Ainda menor de idade, comprou um caminhão para vender areia e lenha a um fabricante de tijolos. “Eu era safo, nem carta eu tinha”, diz. Logo ampliou os negócios. Comprou ônibus para transportar funcionários de uma indústria química recém-instalada na cidade e fundou a primeira de três cerâmicas. 

O rapaz da roça caiu nas graças do então prefeito e dali começou a tecer sua rede de contatos importantes. Na mesa de truco, firmou amizade com um chefão do Bradesco. Num piscar de olhos, sua transportadora tornou-se a Jadlog — que viria a se tornar a maior empresa de logística do Brasil, cuja vasta teia de distribuição estende-se aos mais distantes rincões, por mar, terra e ar.

Na época do Plano Collor, foi à Jadlog que os maiores bancos confiaram o transporte de malotes. Com a hiperinflação, seus aviões ziguezagueavam por todo o país para que cheques pudessem ser compensados em horas, sem se desvalorizarem.

Uvas importadas da França

Davo se casou com o amor da adolescência. Multiplicou sua fortuna expandindo os negócios para o agro — em suas imensas fazendas, produz eucalipto, soja, frutas e mais. Depois dos 40 anos, adoeceu e largou a cachaça e a cerveja. “Em viagens com minha mulher, eu via caras balangando os copos, aquela metidez... Peguei gosto pelo vinho, porque é família como eu.”

Fazendo jus ao apelido de Leguinhas — de Papa-Léguas —, logo plantou em Ribeirão Branco (SP) variedades de uvas importadas da França, como merlot e syrah. Deu tudo errado, então ele passou trator por cima e replantou. Adequou as variedades ao clima frio — pinot noir e chardonnay, como em Champanhe — e conseguiu produzir espumantes e brancos de respeito. Aí comprou duas fazendas no sul de Minas, em terroir bom para fazer tintos de inverno.

Os vinhos colecionam medalhas. Se estão entre os melhores do Brasil? Para ele, sim! A sede de vencer e o orgulho que Seu Afonso tem das crias são o motor do crescimento da marca Davo — que inclui azeite, suco de uva, café e dois hotéis em meio às vinhas (com restaurante, loja etc). É gente como Leguinhas, de 71 anos e ainda imparável, que vem transformando o Sudeste no Eldorado do vinho.

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