O Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, palco da décima sexta etapa da temporada 2026 da Fórmula 1. (Reprodução/F1) (Reprodução)
CTO da Exame
Publicado em 5 de novembro de 2026 às 06h29.
Última atualização em 5 de novembro de 2026 às 11h47.
A corrida termina, mas as câmeras continuam ligadas. Há o abraço na equipe, o piloto que tira o capacete, o relógio que aparece no pulso e o champagne que atravessa o pódio. Depois vêm as entrevistas, os encontros e as fotografias que seguirão circulando durante a semana. Para as marcas que investem na Fórmula 1, essa sequência também faz parte do espetáculo.
Poucos esportes oferecem tantas maneiras de entrar em cena. TAG Heuer, AWS, BOSS, Tommy Hilfiger e Moët & Chandon convivem nesse ambiente com produtos, clientes e objetivos diferentes. Algumas são parceiras do campeonato; outras se associam às equipes. Todas encontram uma competição capaz de produzir interesse muito além do resultado de domingo.
É possível acompanhar a F1 pela engenharia, pelas rivalidades ou pela personalidade dos pilotos. Também pelas cidades, pelas roupas e pela curiosidade sobre o que acontece depois que alguém atravessa uma porta reservada. Entre a arquibancada e o paddock, há diferentes formas de proximidade — e boa parte do apelo está justamente nessa distância.
A TAG Heuer tem um lugar natural nessa história. A fabricante suíça voltou a ser cronometrista oficial da Fórmula 1 em 2025, no início da parceria de dez anos entre o campeonato e o grupo LVMH. Ali, o tempo é matéria de trabalho, assunto de conversa e motivo de angústia até a última volta.
Uma diferença quase imperceptível no relógio pode separar a pole position da segunda fila. Meses de desenvolvimento são julgados em décimos de segundo. Nesse cenário, a precisão deixa de ser apenas uma qualidade anunciada para ganhar consequências que o público entende imediatamente.
Para a relojoaria, essa ligação tem uma força particular. O relógio comprado numa loja não precisa cumprir a função de um instrumento de corrida para carregar algo daquele mundo. A história da marca, sua presença no esporte e os personagens aos quais se associa passam a fazer parte da escolha. No pulso, cabe também uma afinidade.
A mesma competição oferece à AWS uma oportunidade bastante diferente. A computação em nuvem costuma ser invisível para quem a utiliza. Na Fórmula 1, ela ganha uma aplicação que pode ser acompanhada da sala de casa.
Os F1 Insights, desenvolvidos com a empresa, transformam dados em informações para a transmissão. A parceria também envolveu simulações aerodinâmicas que contribuíram para os carros introduzidos em 2022. Por trás das imagens, há processamento e análise ajudando a contar a corrida e a desenvolver o esporte.
Para uma empresa de tecnologia, participar desse trabalho oferece uma história comercial atraente. Um serviço complexo ganha um exemplo concreto, num ambiente associado a decisões rápidas e exigência técnica. A conversa que poderia começar com uma apresentação de produto passa a ter uma corrida como referência.
O público dessa mensagem inclui quem, na segunda-feira, estará numa reunião decidindo sobre tecnologia. O interesse pessoal pelo esporte e a responsabilidade profissional podem se encontrar ali, diante da mesma tela.
Já a moda encontra espaço assim que o piloto sai do carro.
A BOSS anunciou sua parceria com a equipe Aston Martin em 2022. Em 2024, Fernando Alonso protagonizou a campanha de uma coleção BOSS x Aston Martin, levando para as imagens de moda a familiaridade de um rosto reconhecido nas pistas. A roupa passa a participar da história de alguém que o público já acompanha.
A Tommy Hilfiger explora essa proximidade como parceira de vestuário e patrocinadora de lifestyle da Cadillac na Fórmula 1. A colaboração inclui coleções para os fãs, estendendo a presença da equipe para peças que podem circular muito longe de um autódromo.
Uma jaqueta ou uma camisa permite incorporar uma referência sem precisar explicar muito sobre ela. Para alguns, é torcida. Para outros, gosto pela estética ou identificação com um piloto. Há ainda quem chegue à corrida pela roupa, interessado primeiro na imagem e só depois no que acontece na pista.
Esse trânsito interessa às marcas. O campeonato fornece personagens, cenários e ocasiões para que seus produtos apareçam em uso. A chegada ao circuito, uma entrevista e um encontro depois da prova prolongam a história. O fim de semana de corrida oferece imagens que continuam encontrando público quando os carros já estão sendo preparados para a próxima etapa.
No pódio, a Moët & Chandon ocupa um dos momentos mais reconhecíveis dessa sequência. A maison voltou a ser o champagne oficial da Fórmula 1 em 2025, dentro da parceria entre a LVMH e o campeonato. Sua presença está ligada ao instante em que a tensão dá lugar à festa.
O relógio marca a diferença entre os competidores; o champagne marca a conquista. Depois de tanta contenção — no rádio, nas decisões, nos movimentos —, a cena termina em garrafas abertas e um banho coletivo. É fácil, para quem acompanha, imaginar por um instante como seria estar ali.
A força dessa associação está na facilidade com que ela encontra outras ocasiões. Uma conquista profissional ou uma comemoração entre amigos não precisa ter a dimensão de um Grande Prêmio para merecer um ritual. Quando chega a hora de escolher a garrafa, aquela imagem pode estar na memória.
Há também negócios acontecendo longe das câmeras. Receber um cliente durante uma corrida cria uma ocasião de convivência difícil de reproduzir numa reunião de escritório. A conversa tem tempo para sair da pauta, passar pelo esporte e voltar ao trabalho. Para empresas cujas vendas dependem de relações longas, essa proximidade pode ser tão relevante quanto a exposição na transmissão.
A F1 combina essas duas escalas: aparece para muita gente e reserva certas experiências a poucos. Um nome visto repetidamente na televisão pode reaparecer num convite, numa peça de roupa ou numa demonstração de tecnologia. A marca vai construindo sua presença por caminhos diferentes, às vezes diante do mesmo cliente.
É essa combinação que ajuda a explicar a disposição para investir. O retorno, porém, depende do que cada empresa faz com o espaço conquistado. Direitos de patrocínio são apenas o começo; campanhas, coleções, conteúdo e hospitalidade exigem investimento e execução. A familiaridade com um logotipo pode abrir uma porta, mas ainda há trabalho até que ela se transforme em preferência ou contrato.
Quando funciona, a relação parece fazer parte da paisagem. O relógio pertence à disputa pelo tempo. A tecnologia ajuda a acompanhar a corrida. A roupa segue com o fã pela cidade. O champagne reaparece quando há algo a celebrar.
Na segunda-feira, o circuito começa a ser desmontado. Essas associações continuam circulando.