Entenda a nova tendência de lingerie masculino que surgiu nos EUA

Diferentes marcas apostaram no novo mercado e esgotaram coleções; no Brasil, ainda há resistência do público
 (Divulgação/Menagerié)
(Divulgação/Menagerié)
Por Da RedaçãoPublicado em 15/04/2022 14:47 | Última atualização em 15/04/2022 14:48Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Esqueça o padrão perpetuado por décadas nos desfiles da Victorias’s Secret: uma nova tendência de lingeries masculinas surge nos Estados Unidos – e, com isso, empresas que apostam nesse mercado. É o exemplo Leak NYC, com peças futuristas inspiradas no universo queer criadas pelo estilista Louis Dourantes, mas também de outras marcas que romperam a barreira do sex shop.

E como surgiu a demanda pela nova moda íntima? No caso do artista LaQuann Dawson, que discute temas raciais e de gênero por meio das suas obras, tudo começou com a improvisação dos lingeries femininos para sessões de fotos. Em entrevista ao The New York Times, disse que o maior problema era encontrar peças com modelagens que se encaixassem nos corpos masculinos.

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Na italiana Cosabella, fundada em 1983, a coleção ganhou cuecas com opções fio-dental e rendadas em novembro do ano passado. Para Guido Campello, cofundador da companhia junto à esposa, esse movimento é liderado pelo público gay e não-binário ligado às tendências, só que existe espaço para popularização. “Homens são metade do mercado mundial”, afirmou ao periódico.

Por sua vez, a Savage x Fenty, grife de moda íntima criada por Rihanna, lançou a primeira coleção de lingeries masculinos há dois anos – e todas as peças esgotaram em apenas 12 horas. Para celebrar o Dia de São Valentim (equivalente ao Dia dos Namorados), a marca apresentou a linha com harnesses e croppeds transparentes. No site, praticamente todas as peças já estão vendidas.

Savage X Fenty

Savage X Fenty, da Rihanna, lançou uma linha especial para o Dia de São Valentim (Savage X Fenty/Divulgação)

E outras companhias também têm sofrido para atender essa demanda do mercado nos EUA, como é o caso da Fleur du Mal, com lojas em Nova York e Los Angeles, que esgotou todas as boxers de renda em dois dias e, atualmente, tem mais de 500 clientes em fila de espera. Para a WGSN, consultoria de tendências, o movimento é reflexo de uma geração mais inclusiva e diversificada.

Para Valerie Steele, diretora do museu do Fashion Institute of Technology, em Nova York, e também autora do livro “Fetish: Fashion, Sex & Power”, o lingerie masculino teve sua origem há cerca de cem anos. E, ao The New York Times, disse que a tendência vai desde cuecas bordadas na União Soviética à sexualização dos homens para as campanhas da Calvin Klein na década de 1970.

Por outro lado, o mercado brasileiro ainda demonstra resistência para adotar a tendência. Foi o caso da HSMen’s Underwear, que desenvolveu uma coleção de lingerie masculina, encerrada em 2016, só dois anos após ser criada. “Quando criei a marca, não havia esses produtos por aqui. E a repercussão foi boa, mas os clientes não divulgavam”, diz a empreendedora Herika Secundino.

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