A página inicial está de cara nova Experimentar close button
Conheça o beta do novo site da Exame clicando neste botão.

Debate sobre saúde mental dos atletas também tem espaço no futebol

Caso de Simone Biles, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, evidenciou a importância do assunto

Durante os Jogos Olímpicos, o caso de Simone Biles, que decidiu se afastar de quatro finais em Tóquio, levantou um debate sobre a saúde mental dos esportistas de alto rendimento. Após toda repercussão da decisão da ginasta norte-americana, a Fifa, em conjunto com a Organização Mundial de Saúde (OMS), lançou uma campanha para estimular os jogadores de futebol, principalmente os que estão nas categorias de base, a procurar ajuda em caso de problemas emocionais.

De acordo com a entidade, metade dos problemas de saúde mental, considerando a população em geral, aparece perto dos 14 anos. O estudo só reforça a importância das entidades esportivas investirem em equipes preparadas para lidar com o emocional dos atletas, sobretudo os mais novos.

Na opinião de Júnior Chávare, gerente de futebol do Bahia, com experiência em trabalhos voltados à captação e formação de jogadores ao profissional em clubes como São Paulo, Grêmio e Atlético Mineiro,atualmente o futebol brasileiro tem olhado mais para os departamentos psicossociais. “Para as instituições que trabalham sério esta questão, são setores, que envolvem a psicologia, tanto pessoal como esportiva, que são importantíssimos nas categorias de base. Por onde passei eu sempre trabalhei fortemente isso e não tenho dúvida que é fundamental”, contou.

No futebol, esse problema não aparece apenas nas categorias de base. Segundo um Estudo da Federação Internacional de Atletas (Fifpro), cerca de 23% dos jogadores em atividade têm transtornos do sono, 9% relataram que sofrem de depressão e outros 7% apresentam sintomas de ansiedade.

Para Marcelo Segurado, executivo de futebol, com formação em sociologia e geografia pela Universidade Católica de Goiás, a importância dos psicólogos, em função das cobranças serem cada vez maiores, é tão grande quanto a do preparador físico, nutricionista, entre outros membros dos clubes. “A saúde mental é tão importante de ser promovida, monitorada e tratada quanto a saúde física. Sabemos que jogadores e treinadores precisam estar fortalecidos mentalmente e com o bem-estar preservado para conseguirem desempenhar bem suas funções”.

No Brasil, o Fortaleza é um dos clubes que tem um departamento voltado para dar suporte emocional e psicológico aos atletas no dia a dia. No clube, há duas psicólogas responsáveis por esse trabalho, a Liana Benício, para a base, e a Nara Alciane, para o profissional.

“O Fortaleza busca ressignificar a ideia ultrapassada de que a psicologia está ali apenas para trabalhar com o problema. Devemos ser vistos como um agregador no grupo como um todo, que direciona seu trabalho no rendimento, foco, atenção, trabalhando as habilidades e demais fatores que tragam bom retorno à prática. A psicologia no contexto esportivo propõe entender como fatores psicológicos influenciam diretamente o rendimento do atleta”, comentou Alciane.

A psicóloga do Leão do Pici ainda acrescenta que trabalhar com pessoas requer muita sensibilidade e que ainda existem algumas resistências, fruto de uma cultura que por muito tempo se fez presente: de que estar em acompanhamento com a psicologia é algo negativo. “Há uma sensibilização de que podemos auxiliar no desenvolvimento de habilidades e assim estamos ganhando novos espaços. A psicologia tem direcionado sua prática em atendimentos individuais, se fazendo presente em treinos, jogos e atividades que os envolvidos estejam inseridos”, finalizou.

Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, acredita que os Jogos Olímpicos deixaram um legado sobre a importância dos atletas cuidarem, acima de tudo, da saúde mental. “É fundamental ter esse alinhamento entre corpo e mente preparado e ter profissionais especializados, porque a psicologia esportiva é um ramo bem específico, de alto rendimento, de competição, de lidar com seus medos e com seus traumas. Os Jogos de Tóquio acenderam um debate importante, que deve fazer com que as instruções esportivas em geral, tenham um olhar mais apurado para esse assunto”, concluiu.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 4,90/mês
  • R$ 14,90 a partir do segundo mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 129,90/ano
  • R$ 129,90 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 10,83 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Veja também