‘Cascata de calamidades’ marca ambições olímpicas de Tóquio

O não cancelamento dos Jogos Olímpicos pode sair caro, tanto para o futuro político do Japão quanto para potenciais patrocinadores corporativos

Quando o Japão venceu a competição para sediar a Olimpíada de 2020 após um terremoto e tsunami devastadores, o então primeiro-ministro Shinzo Abe disse que seria uma “enorme oportunidade para Tóquio e para o Japão brilharem no centro do palco mundial”.

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Elogiando seu país como um dos mais seguros do mundo, Abe prometeu em 2013 que os problemas envolvendo a usina nuclear de Fukushima seriam resolvidos e que hordas de visitantes estrangeiros veriam que o Japão é “maravilhoso”. Os planos foram acelerados para novos cassinos, táxis autônomos e um estádio futurista para deslumbrar turistas.

No entanto, muitos desses projetos ruíram muito antes de a pandemia obrigar Abe a adiar os Jogos Olímpicos no ano passado. E agora, poucas semanas antes da cerimônia de abertura reprogramada para 23 de julho, um novo surto de Covid-19 juntamente com uma das campanhas de vacinação mais lentas da Ásia levaram até mesmo os principais líderes empresariais a pedirem um novo adiamento da Olimpíada ou que seja descartada completamente.

Os planos para o estádio principal e cassino foram interrompidos. Uma medida para liberar águas residuais tratadas de Fukushima no oceano gerou indignação entre moradores. E um alerta de viagem dos Estados Unidos na segunda-feira destacou o que era evidente há meses, já que as fronteiras do Japão permanecem fechadas para quase todos: um evento destinado a unir o mundo ocorrerá em um cenário de isolamento e medo, com espectadores globais assistindo de suas salas de estar.

“Quando a Olimpíada foi adiada no ano passado, a ideia era considerá-la como prova de que o mundo havia derrotado vírus”, disse Katsutoshi Kawano, ex-chefe das Forças de Autodefesa do Japão, em entrevista por telefone. “Os resultados falam por si. Pessoas que não deveriam morrer estão morrendo.”

Os anéis olímpicos fora do Museu Olímpico do Japão perto do Estádio Nacional, o principal estádio dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

Os anéis olímpicos fora do Museu Olímpico do Japão perto do Estádio Nacional, o principal estádio dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. (Kiyoshi Ota/Bloomberg)

‘Missão suicida’

Embora pesquisas mostrem que a maioria dos cidadãos japoneses deseja que a Olimpíada de Tóquio seja adiada ou cancelada, até o momento não há sinal do de que o primeiro-ministro Yoshihide Suga - que assumiu o poder depois que Abe deixou o cargo no ano passado - pretende cancelar o evento. Segundo o porta-voz do governo, Katsunobu Kato, os EUA disseram ao Japão que a decisão não está relacionada à Olimpíada, e simplesmente baseada nas taxas de infecção dos 28 dias anteriores.

Mas mesmo ir frente com os Jogos Olímpicos neste momento - com o coronavírus se espalhando no Japão e em outras partes do mundo - pode sair caro, tanto para o futuro político de Suga quanto para potenciais patrocinadores corporativos. No fim de semana, o bilionário Masayoshi Son, fundador e principal executivo do SoftBank, criticou a decisão de realizar a Olimpíada, enquanto Hiroshi Mikitani, fundador e CEO da varejista online Rakuten, comparou o evento a uma “missão suicida”.

“Quando se trata da Olimpíada de Tóquio, continuamos a testemunhar uma cascata de calamidades”, disse Jules Boykoff, professor da Pacific University em Oregon, que escreveu vários livros sobre os Jogos Olímpicos.

“Isso complica as coisas para patrocinadores corporativos”, acrescentou. “Normalmente, você se beneficia do efeito halo dos Jogos e isso brilha na sua marca. Mas, com Tóquio, é mais complicado, porque você pode estar associado a algo que se tornou enormemente impopular.”

 

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