Antigos rivais vão representar a vela brasileira nos Jogos de Tóquio

A velejadora Gabriela Nicolino, de 30 anos, diz que, depois de conviver anos como rival de Samuel Albrecht, a decisão de formar uma parceria não foi fácil

A dupla de velejadores Gabriela Nicolino e Samuel Albrecht é relativamente nova. A parceria na classe Nacra 17 tem menos de dois anos, mas já acumula ótimos resultados. A começar pelo quinto lugar no Mundial da Dinamarca (2018), que assegurou a vaga para o Brasil nos Jogos de Tóquio (Japão), adiados para o ano que vem. Um início promissor, já que na ocasião Gabriela e Samuel haviam treinado juntos por apenas 20 dias. E não pararam por aí: em dezembro passado, Gabriela e Samuel confirmaram a vaga olímpica deles, no Mundial de Vela, na Nova Zelândia: ficaram em sexto lugar, o suficiente para carimbar o passaporte rumo a Tóquio.

Enquanto Samuel parte para sua terceira edição olímpica, Gabriela é uma estreante nos Jogos Durante o ciclo de 2016, os dois chegaram a ser rivais. Ele formava dupla com Isabel Swan e superou a adversária Gabriela que  navegava com João Bulhões, em 2015, durante o Torneio Sul-Americano de Vela, em Niterói (RJ). Samuel e a parceira Isabel garantiram a vaga olímpica ao concluírem a prova duas posições à frente de Gabriela e João.

“A gente, na verdade, não chegou a conversar sobre isso. Ser rival proporciona uma proximidade muito grande. Você passa a conhecer o outro atleta. Ninguém leva muito para o lado pessoal uma vitória ou uma derrota. Isso tudo faz parte da magia do esporte”, explica Gabriela durante entrevista à Agência Brasil.

A velejadora, de 30 anos, garante que, depois de conviverem anos como rivais, a decisão de formar uma parceria não foi fácil. Teve até um “empurrãozinho” da Confederação Brasileira de Vela (CBVela) e do Comitê Olímpico do Brasil (COB). “Foi uma decisão difícil. Já estava há uns três anos com o João. Mas chegou uma hora que nós dois concluímos que valia a pena correr esse risco. Temos muita confiança no trabalho”, revela a atleta carioca.

A classe Nacra 17 é a única que permite duplas mistas nesse ciclo olímpico. Problema? Para os dois, é até melhor velejar com alguém do sexo oposto. “Ela tem diversas qualidades: é atenta aos trabalhos de equipe, disciplinada e cuida da preparação física. É uma excelente profissional-atleta”, elogia o parceiro Samuel, ao conversar com a Agência Brasil.

Gabriela explica o papel de cada dentro da embarcação. “O mais importante é promover a interação e o respeito. Na dupla, já levamos de uma forma muito natural. Eu faço a ‘proa’, que é a posição que exige mais força, mais potencial muscular. O Samuel se desenvolveu muito como ‘timoneiro’. Foram decisões totalmente técnicas.”

O ano passado terminou em grande estilo, com a conquista da vaga olímpica no Mundial da Nova Zelândia. Mas, até chegar lá, a dupla precisou percorrer longo caminho. “Em janeiro conquistamos a prata na etapa de Miami da Copa do Mundo. Mas, logo depois, sofri uma lesão de fratura exposta no dedo, enquanto corríamos uma regata no Troféu Princesa Sofia [Espanha]. Isso veio como um balde de água fria. Foi um longo recomeço”, lembra o gaúcho Samuel.

A sequência de eventos prosseguiu. Samuel e Gabriela conquistaram o bronze no Pan de Lima, participaram do evento-teste da vela na Baía de Enoshima (Japão) e, por fim, do Mundial de Vela na Nova Zelândia. “Ou seja, muitas viagens, muitos traslados. Então, não tivemos a chance de treinar como gostaríamos. E tem também a parte da logística. Temos um barco no Japão, um na América [do Sul] e outro na Europa. Tudo muito puxado e faltou tempo. O barco do Japão foi para a Nova Zelândia e atrasou por questões burocráticas. Quebrou também uma peça durante as regatas. Mas menos mal que já tínhamos garantido a nossa vaga na Seleção”, finaliza Gabriela.

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