Postura física e inteligência emocional são fatores decisivos para transmitir liderança, equilíbrio ou insegurança | Freepik
Redatora
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 17h10.
RESUMO | A dúvida sobre ser bom o suficiente acompanha muita gente nos estudos, no trabalho e nas relações. Para a psicóloga americana Marisa G. Franco, que pesquisa autoestima, a saída é trocar a pergunta: em vez de tentar se encaixar em um padrão externo, perguntar como ser você mesmo. Em artigo na CNBC Make It, ela reúne estudos que ligam autenticidade a bem-estar e propõe cinco exercícios, de agradecer ao medo da rejeição a criar um mantra pessoal. A lógica conversa com a autoconsciência, uma das bases da inteligência emocional.
Antes de uma entrevista de emprego, de uma apresentação no trabalho ou de um primeiro encontro, muita gente se faz a mesma pergunta: será que sou bom o suficiente? Para a psicóloga americana Marisa G. Franco, o problema está na própria pergunta. Quem tenta provar o próprio valor o tempo todo mede a si mesmo por um padrão definido pelos outros, seja a sociedade, os pais ou um possível parceiro.
Professora da Universidade de Maryland e autora de livros sobre amizade e autoestima, Franco defende em artigo publicado pela CNBC Make It que as pessoas mais seguras não estão tentando provar nada. Elas se concentram em ser quem são. Por isso, a proposta dela é substituir a dúvida sobre ser suficiente por outra: como posso ser eu mesmo?
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Segundo Franco, uma meta-análise que reuniu dezenas de estudos associou a autenticidade ao bem-estar, a ponto de pesquisadores tratarem uma como parte essencial da outra.
Ela cita também um estudo com pessoas com ansiedade social. Os participantes foram orientados a abandonar os chamados comportamentos de segurança, como falar sem parar para evitar um silêncio constrangedor ou acelerar a fala por imaginar que o outro não está interessado. Quando deixaram esses hábitos de lado, os interlocutores relataram mais vontade de conversar e de fazer amizade com eles. A explicação é que os participantes ficaram mais presentes e interessados na conversa.
Há uma ressalva. Ser autêntico só quando se tem certeza de agradar, segundo a psicóloga, é cair de novo na armadilha de priorizar os outros. Às vezes, mostrar quem você é vai gerar rejeição. Em vez de mudar para evitar isso, a recomendação é tolerar as consequências, desde que a segurança física não esteja em risco.
Reprimir o medo de ser rejeitado costuma deixá-lo mais forte, fenômeno que a psicologia chama de teoria do processo irônico. Quanto mais a pessoa acolhe sentimentos desconfortáveis, menor a chance de eles a controlarem.
Franco sugere encarar o medo como um pedido de atenção e agradecer a ele por tentar proteger o vínculo com pessoas importantes.
Algumas características parecem vergonhosas para quem as tem. Segundo um estudo citado pela psicóloga, quanto mais compaixão a pessoa sente pelas partes de si que considera falhas, mais autêntica ela se sente.
O exercício é se distanciar e imaginar outro ponto de vista. Diante de um erro no trabalho, por exemplo, o instinto pode ser tratá-lo como prova de inferioridade. A proposta é imaginar o melhor amigo lembrando que erros não definem ninguém, apenas fazem parte de ser humano.
A ansiedade de não ser suficiente persiste, em parte, porque a rejeição parece insuportável. Ela tende a diminuir quando a pessoa percebe que vai ficar bem mesmo que alguém não goste dela.
Para Franco, a rejeição pode até trazer ganhos, como aprender a seguir em frente e passar a buscar a própria aprovação antes da dos outros. A sugestão é colocar tudo no papel. Só pensando, é comum ficar remoendo a experiência negativa. Escrever ajuda a dar sentido ao que aconteceu e faz bem à saúde mental.
Quem sente que precisa provar o próprio valor em cada interação tende a se esforçar demais para ser querido, o que, segundo pesquisas citadas pela psicóloga, pode ter o efeito contrário. Anotar qualidades como humor, inteligência, presença ou atenção aos detalhes ajuda a confiar que as pessoas podem gostar de você sem tanto esforço.
Quando a cabeça está ocupada com a aprovação alheia, dá para redirecionar a atenção de forma deliberada. Franco recomenda criar uma frase curta que lembre o valor da autenticidade, como a ideia de que o objetivo é ser você mesmo, e não ser querido por todos.
A frase não deve ser repetida no automático. A orientação é tentar sentir uma mudança interna a cada repetição.
Reconhecer o medo, olhar para os próprios erros com menos dureza e confiar nas próprias qualidades são habilidades de autoconsciência e autogestão, bases da inteligência emocional. No começo da carreira, elas pesam em momentos como uma entrevista, uma reunião com a liderança ou a primeira avaliação de desempenho.
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Ser suficiente, no fim, deixa de ser a meta quando a pergunta muda.
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Segundo a psicóloga Marisa G. Franco, o caminho é trocar a pergunta por “como posso ser eu mesmo?”. Para ela, quem se sente seguro não tenta provar o próprio valor a um padrão externo.
Estudos citados pela psicóloga indicam que sim. Em um deles, pessoas com ansiedade social que abandonaram comportamentos de proteção despertaram mais interesse em conversas e amizades.
É o fenômeno psicológico em que tentar reprimir um pensamento ou sentimento acaba deixando-o mais forte. Por isso, Franco sugere acolher o medo da rejeição em vez de lutar contra ele.
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