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Liderar é cuidar: por que a liderança atual tem mais espaço para mulheres

Modelo de liderança autoritária perde espaço enquanto instituições buscam mais mulheres para cargos de gestão com objetivo de aumentar a diversidade e o lucro

Carolina Cavenaghi, Daniela Marques, Juliane Yung, Flávia Palacios e Patricia Feliciano: líderes participaram de painel no Women in Finance (Fin4She/Divulgação)

Carolina Cavenaghi, Daniela Marques, Juliane Yung, Flávia Palacios e Patricia Feliciano: líderes participaram de painel no Women in Finance (Fin4She/Divulgação)

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Beatriz Correia

Publicado em 6 de dezembro de 2022, 16h20.

Inovação, autenticidade, resiliência e empatia. Em uma rápida associação, essas características podem ser automaticamente atribuídas a mulheres. No entanto, coincidentemente essas também são as habilidades cada vez mais exigidas de líderes. O estilo de comando autoritário e rígido tem sido substituído ao longo dos anos por uma gestão focada no cuidado e na individualidade dos liderados. 

Não à toa, as palestrantes do Women in Finance 2022 destacaram que o cenário atual de busca por novos líderes é favorável às mulheres. “Existe um espaço gigantesco para lideranças femininas porque liderar hoje é cuidar das pessoas, e as pessoas estão precisando de apoio, cuidado e acolhimento”, afirmou a presidente da Caixa Econômica Federal, Daniela Marques, durante o evento.  

Organizado e promovido pela Fin4She, o Women in Finance (que pode ser assistido na íntegra neste link), reuniu líderes do mercado financeiro e empreendedoras para promover o desenvolvimento e a ascensão de mulheres no meio corporativo. Um dos painéis de discussão tratou da mudança de perspectiva das empresas sobre seus líderes. 

Liderar é cuidar. O desafio de um head é cuidar das pessoas. As lideranças do passado, com características hierárquicas não existem mais. É um modelo tóxico, autoritário. Hoje, as mulheres estão se destacando por vocação, porque naturalmente - não é uma regra - nós somos mais cuidadosas”, afirmou a líder da Caixa. 

Uma pesquisa feita pela consultoria de Recursos Humanos ManpowerGroup concluiu que 47% das organizações estabeleceram 2022 como o ano para trazer mais mulheres para o topo. Desse total, 35% têm meta até 2023 para mudar o equilíbrio entre os gêneros na alta gestão.

Para Juliane Yung, head de Global Corporate Banking e Sponsor das iniciativas de ESG do Banco MUFG, a intuição é um dos diferenciais para mulheres que querem aproveitar essa oportunidade à vista. “A mulher proporciona uma liderança com intuição, com sentimento e com o emocional, o que faz toda a diferença e traz melhores resultados”. 

Para Flavia Palacios, Ceo da Opea, além do cuidado e da intuição, a capacidade de olhar para o indivíduo é outro ponto forte das mulheres para lideranças. “Eu percebi que ser líder era olhar as pessoas físicas que estavam ali, entender que elas têm famílias, têm vida fora do trabalho. Eu admiro a liderança que vai além do profissional e vejo as mulheres muito capacitadas para fazer isso”, declarou.

Mulheres na liderança geram mais lucro

O questionamento das instituições sobre modelos de lideranças está ligado à mudança de mentalidade de gerações e à visibilidade dada a temas como igualdade de gênero. Mas não é só isso. A preocupação também está diretamente relacionada ao resultado financeiro. 

Empresas com pelo menos 30% das lideranças preenchidas por mulheres são mais lucrativas e conseguem aumentar mais de 1% da sua margem de lucro em comparação àquelas que não têm líderes femininas. Isso é o que aponta um estudo da Peterson Institute for International Economics (2016) sobre o impacto financeiro nas empresas que possuem líderes mulheres. 

Outro levantamento feito por pesquisadores da Universidade do Arizona – que analisou empresas da Fortune 500 – descobriu que companhias com mulheres em cargos de alta administração experimentam a chamada ‘intensidade da inovação’ e registram mais patentes - em uma média de 20% mais do que equipes com líderes masculinos. 

Elas também são melhores gerenciadoras de crises. De acordo com um estudo da Havard Business Review, entre as 500 maiores empresas americanas, aquelas que têm uma mulher como CEO registram um desempenho muito bom ou melhor em tempos de incertezas.

O foco na liderança do cuidado e no aumento de resultados faz com que empresas busquem mais mulheres para seus cargos de gestão. Apesar do movimento em busca de líderes, atualmente elas ocupam apenas 38% dos cargos de gestão do país. Um levantamento da Grant Thornton mostrou que embora ainda abaixo do necessário, o número vem aumentando, uma vez que em 2019 elas estavam em apenas 25% dos cargos de liderança. 

Para se preparar, as profissionais podem apostar no desenvolvimento pessoal e profissional e nas conexões verdadeiras. Um espaço que reúne estes dois propósitos é a 4She, plataforma da Fin4She lançada durante o Women in Finance. 

No site executivas, empreendedoras e profissionais de qualquer área podem se cadastrar em um banco de currículos acessado por grandes empresas; conferir vagas e oportunidade; acessar cursos e conteúdos que promovem o desenvolvimento pessoal e profissional das mulheres, além de participar da comunidade criada na plataforma. 

A 4She é gratuita e pode ser acessada neste link

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