5 falhas que fazem seu currículo parecer pouco profissional | Freepik
Redatora
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 11h06.
A inteligência artificial já pode ajudar a revisar currículos, preparar entrevistas e adaptar uma candidatura a determinada vaga. O problema começa quando a ferramenta deixa de organizar uma trajetória real e passa a construir uma versão do candidato que não se sustenta fora da tela.
Plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude vêm sendo utilizadas por profissionais na elaboração de currículos, portfólios e preparação para entrevistas. O alerta é que respostas prontas, competências exageradas e uma linguagem distante da forma como o candidato realmente se comunica podem criar inconsistências perceptíveis ao longo da seleção.
A discussão ocorre justamente quando a inteligência artificial também avança do lado das empresas. Dados publicados pelo LinkedIn em julho de 2026 mostram que sistemas de IA já são usados por recrutadores para analisar experiências, habilidades e outros sinais profissionais em grande volume.
Veja, abaixo, cinco erros que podem custar uma vaga de emprego.
O primeiro risco parece óbvio, mas pode surgir de forma sutil. Um candidato pede à ferramenta para “deixar o currículo mais forte”, e a resposta transforma participação em liderança, colaboração em gestão de equipe e familiaridade com determinada ferramenta em domínio avançado.
Esse tipo de exagero tende a aparecer quando o recrutador aprofunda a experiência durante a entrevista. Se o candidato não consegue explicar o que fez, quais decisões tomou ou que resultados alcançou, surge uma quebra de coerência entre o documento e a pessoa que está sendo avaliada.
Uma regra simples que ajuda é levar em consideração que a IA pode melhorar a frase, mas não o fato.
“Proativo.” “Orientado a resultados.” “Excelente comunicação.” Essas expressões aparecem com frequência em currículos porque parecem resumir rapidamente características desejáveis.
O problema é que dizem pouco quando não estão acompanhadas de evidências. A recomendação apresentada pelo Viva é substituir generalidades pelas particularidades da própria experiência.
Em vez de apenas afirmar que possui capacidade de liderança, por exemplo, o candidato pode mostrar que coordenou cinco integrantes em um projeto universitário. “Orientação a resultados” pode aparecer por meio de uma entrega concluída, uma meta alcançada ou uma melhoria implementada.
O LinkedIn afirma que ferramentas de recrutamento baseadas em IA estão avançando justamente na análise do contexto completo dos candidatos, incluindo competências, experiências e sinais de carreira — e não apenas na presença isolada de determinados termos.
Enviar dezenas de candidaturas com o mesmo currículo pode parecer eficiente, mas nem sempre é.
Duas vagas com o mesmo cargo podem exigir competências muito diferentes. Uma posição de marketing pode priorizar análise de dados; outra, relacionamento com clientes, já um programa de trainee pode valorizar liderança, enquanto outro enfatiza raciocínio analítico.
A IA pode ser especialmente útil nessa etapa. O candidato pode fornecer a descrição da vaga e pedir que a ferramenta identifique as competências, responsabilidades e experiências mais relevantes. Depois, deve comparar essas exigências com a própria trajetória.
O curso gratuito Processo Seletivo, do Na Prática, trabalha justamente a interpretação de vagas antes da candidatura, além da construção de uma narrativa profissional coerente. A formação também aborda como recrutadores e sistemas de inteligência artificial avaliam candidatos.
A resposta pode ser impecável no papel e desastrosa ao vivo. Quando o candidato memoriza um texto produzido por IA, há dois riscos: parecer artificial e responder para o recrutador uma pergunta que exige aprofundamento, por exemplo:
“Qual foi sua maior dificuldade nesse projeto?”
“Por que você tomou essa decisão?”
“O que faria diferente hoje?”
Se a experiência não foi realmente elaborada pelo candidato, a resposta pronta perde sustentação. É recomendado utilizar IA para estruturar conteúdos e depois revisar o texto, retirar exageros, incluir exemplos pessoais e adaptar a linguagem.
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Uma aplicação mais produtiva é inverter o uso da ferramenta. Em vez de perguntar “qual é a melhor resposta para esta entrevista?”, peça:
“Faça uma pergunta de entrevista por vez. Depois da minha resposta, avalie se fui claro, se apresentei exemplos concretos e quais pontos ainda ficaram vagos.”
Assim, a IA não fala pelo candidato. Ela ajuda o candidato a falar melhor sobre o que realmente viveu.
A inteligência artificial facilita uma candidatura sem erros de português, bem estruturada e recheada de termos profissionais. Quando todos fazem isso, porém, a perfeição formal deixa de ser suficiente para diferenciar alguém.
O próprio mercado de recrutamento enfrenta esse problema. O LinkedIn aponta que o aumento de candidaturas e da adoção de IA fez a qualidade dos sinais sobre cada candidato ganhar importância. Segundo a plataforma, dois terços dos recrutadores dizem estar mais difícil encontrar profissionais qualificados do que um ano antes, mesmo com ferramentas capazes de acelerar a triagem.
Existe ainda outra preocupação: o uso de IA em tempo real para fornecer respostas durante entrevistas e avaliações. O LinkedIn já relata casos de ferramentas que sugerem respostas enquanto candidatos conversam com recrutadores, o que vem levando empresas a rever formatos de avaliação e políticas sobre uso da tecnologia.
Para o candidato, a consequência é clara: quanto mais fácil se torna gerar uma resposta perfeita, maior pode ser o valor de demonstrar repertório real.
O mercado está mais competitivo, e quem entende como os processos seletivos funcionam sai na frente.
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