Em 2025, ao que tudo indica, milhões de empregados mundo afora precisarão escolher: escritório ou rua (10'000 Hours/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 14h32.
O que antes era uma solução improvisada durante a pandemia de COVID-19, se transformou em um dos principais pilares da estratégia de Recursos Humanos nas empresas por todo o mundo.
O home office deixou de ser resposta à crise e passou a influenciar diretamente retenção, engajamento e proposta de valor ao empregado.
Em 2025, 67,7% dos profissionais afirmaram que o trabalho remoto melhorou sua qualidade de vida. Outros 23,1% relataram efeitos mistos e apenas 9,2% avaliaram impactos predominantemente negativos.
Os dados são de um levantamento realizado pela HUG, empresa especializada na curadoria e alocação de profissionais de comunicação.
Segundo Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG, a lógica de contratação mudou. “A dor da contratação hoje passa cada vez mais pela qualidade de vida que a empresa consegue oferecer.
O home office deixou de ser um benefício temporário e se consolidou como diferencial competitivo na atração e retenção de talentos. Profissionais hoje avaliam não apenas o salário, mas também a flexibilidade, a autonomia e o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho”, afirma.
Para as áreas de Recursos Humanos, isso significa que políticas de flexibilidade passaram a integrar o núcleo da estratégia de employer branding. A decisão entre modelo presencial, híbrido ou remoto já impacta diretamente o funil de recrutamento, o custo por contratação e o tempo de preenchimento de vagas.
Mais do que isso, influencia o engajamento e a permanência dos profissionais no médio e longo prazo.
Apesar da aprovação do modelo remoto, o levantamento revela um ponto crítico para a gestão de pessoas. Entre os entrevistados, 43,3% afirmam não receber nenhum tipo de apoio corporativo para saúde física ou mental. Apenas 34,3% dizem contar com políticas estruturadas, enquanto 22,4% avaliam que o suporte existe apenas parcialmente.
O estudo mostra que 83,6% dos profissionais relataram ao menos um sintoma psicológico no último ano. Ansiedade lidera com 51,5%, seguida por dificuldade de concentração com 47% e sensação de exaustão ou burnout com 39,6 por cento.
Raquel Nunes, especialista em Recursos Humanos na HUG, afirma que o modelo remoto escancarou uma fragilidade estrutural.
“O home office trouxe ganhos reais de qualidade de vida, mas também expôs uma lacuna crítica. As empresas ainda não desenvolveram estruturas adequadas de suporte emocional para esse novo formato de trabalho.
Flexibilidade sem apoio à saúde mental gera profissionais exaustos, isolados e menos produtivos. As organizações precisam entender que cuidar da saúde mental não é custo, é investimento estratégico”, avalia.
O acesso à terapia reforça a urgência do tema. Metade dos profissionais paga acompanhamento psicológico com recursos próprios, enquanto apenas 11,9% contam com o benefício oferecido pela empresa. Outros 26,1% já fizeram terapia, mas interromperam, e 11,9% nunca buscaram apoio.
Para o RH, esses números indicam que programas de bem-estar e saúde emocional deixaram de ser iniciativas complementares e passaram a compor a estratégia central de gestão de pessoas.