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Existe ou não a crase? Neste caso você pode escolher, indica professor

Professor Diogo Arrais explica quando o uso do acento grave, indicativo da crase, é facultativo

homem com dúvida: muita gente erra ao usar formas de verbos que são abundantes (SIphotography/Thinkstock)
DR

Da Redação

Publicado em 2 de abril de 2019 às 12h40.

Todo bom profissional, atento a detalhes na escrita e no discurso, precisa dedicar-se muito à semântica (sentido) das Preposições, Artigos e Regência.
Como consequência desses três vieses, um caso facultativo de Crase: antes de pronome possessivo feminino no singular.

Crase - em sentido mais amplo - é um fenômeno que se deu como parte da evolução da língua (dolor - door - dor; leer - ler). Em sentido mais restrito, a fusão da preposição "a" com os artigos "a" ou "as", ou da preposição "a" com os pronomes demonstrativos "a(s), aquela(s), aquele(s), aquilo".

O gramático Pablo Jamilk - com didática visão linguística na obra Português Sistematizado - traz a seguinte visão:

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"O acento grave será facultativo diante de pronomes possessivos femininos que estiverem no singular e em função adjetiva, isto é, quando acompanharem um substantivo. Isso se dá, porque é discricionário o emprego do artigo como segundo determinante antes de pronomes possessivos. Entretanto, caso o pronome possessivo esteja em função substantiva ou esteja no plural, será necessário reavaliar a construção da sentença, pois poderá haver obrigatoriedade do emprego do acento, caso haja a justificativa para o emprego da preposição."

Para ilustrar a situação acima, vejamos a presença opcional do artigo, antes de pronome possessivo - em função adjetiva - feminino no singular:

"Gosto de sua poesia."
"Gosto da sua poesia."

Com um verbo exigente da preposição "a":

"Refiro-me a sua poesia."
"Refiro-me à sua poesia."

Agora, notemos no destaque o pronome possessivo feminino em função substantiva, sem acompanhar o substantivo:

"Gosto muito da sua poesia, mas não sou tão fã da minha."

Antes do termo "minha", deve haver o artigo; logo, não se concebe ali a facultatividade. No período abaixo, será usado o verbo exigente da preposição e- como consequência - veremos, também no destaque, a obrigatoriedade do acento indicador da crase:

"Refiro-me à sua poesia, mas não me refiro à minha."

Um grande abraço, até a próxima e inscreva-se no meu canal!

DIOGO ARRAIS
YouTube: MesmaLíngua
Autor Gramatical pela Editora Saraiva
Professor de Língua Portuguesa
Fundador doARRAIS CURSOS

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