Carreira

Evento Agora é que são Elas debate envelhecimento feminino

Evento da EXAME e Aladas no Dia da Mulher teve apresentadora Angélica e representantes de empresas como Boticário. Na pauta: os desafios das mulheres maduras

 (Herman Muttoni/Divulgação)

(Herman Muttoni/Divulgação)

D
Da Redação

8 de março de 2022, 15h10

A expectativa de vida da população brasileira vem crescendo nas últimas décadas, impulsionada em especial pela longevidade das mulheres. Uma brasileira nascida hoje tem boas chances de chegar aos 80 anos — a expectativa de vida das mulheres bateu 80,3 anos em 2020, segundo dados do IBGE. É um recorde.

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias que afetam o seu bolso. Tudo por menos de R$ 0,37/dia.

Em meio a uma geração de brasileiras vivendo mais, novos desafios surgem. Como envelhecer bem e com saúde mental? O que ter mente para manter corpo e mente nos lugares num momento de menopausa — e, como é o caso para muitas mulheres nesta fase da vida, de filhos saindo de casa e indo construir a própria vida? Como ter prazer sexual na velhice?

Essas e outras questões foram debatidas no painel Papo aberto — Envelhecimento, autocuidado e sexo do evento virtual Agora é que são Elas, feito por EXAME e Aladas neste 8 de março, Dia Internacional das Mulheres.

O debate contou com a presença de mulheres com bastante lugar de fala sobre o assunto. A começar pela apresentadora de tevê Angélica Ksyvickis, que, aos 48 anos, está à frente de uma nova empreitada: ela é cofundadora da plataforma Mina, de conteúdos para bem-estar e autoconhecimento focado no público feminino.

Para representar o olhar de marcas dispostas a entender as questões da maturidade feminina, e dialogar com este público, estavam na conversa Renata Gomide, diretora de marketing do Grupo Boticário; Marina Ratton, fundadora e CEO da Feel, marca de produtos para intimidade feminina, representaram; Bruna Fausto, diretora executiva de marketing, trade marketing e CMI da BigFral, fabricante de produtos para incontinência urinária. A moderação do papo foi de Viviane Duarte, CEO da consultoria sobre gênero e diversidade Plano Feminino e head of connecting planning da Meta (ex-Facebook).

Um consenso entre as presentes ao debate é a de que certos conceitos como o de etarismo, como é chamado o preconceito contra idosos, devem ser falados mais abertamente. Só assim as mulheres poderão abrir os olhos aos desafios ao redor delas. "As mulheres ainda têm muita vergonha de falar de etarismo, de menopausa", disse Angélica. "O etarismo é um assunto muito importante e essa palavrinha está ficando na moda. Eu acho o máximo. Precisamos debater mais o tema sim."

Para Bruna Fausto, da Bigfral, combater o etarismo depende sobretudo de uma ressignificação dos desafios do envelhecimento. "É importante entender as mudanças trazidas pelo envelhecimento ao corpo da mulher. A pele vai mudar, os músculos vão ficar diferentes", diz ela. "Todo dia eu me olho e acho um problema, mas agora eu também tento achar uma solução e, com isso, me ressignifico todo dia."

As empresas têm papel relevante para levar adiante as questões do envelhecimento da mulher, concluíram as painelistas. Bruna Fausto lembrou que recentemente a BigFral aboliu recentemente as palavras "normal" e "perfeição" da comunicação de seus produtos. "É uma mudança sutil mas importante para ajudar as próximas gerações a lidar com o corpo", diz.

Renata Gomide, do Boticário, salientou a potência da marca de cosméticos ao comunicar com suas consumidoras. "São mais de 25 milhões de consumidoras conectadas às nossas marcas", diz ela, para quem as empresas têm responsabilidade em levar conteúdos sobre autoconhecimento para enfrentar desafios como o etarismo. "Meu papel aqui é como trazer o tema para estimular mulheres a se enxergarem", diz Renata, para quem o próprio fato de mais mulheres estarem prestando atenção a temas como etarismo e autocuidado já é uma evolução. "A gente tem que ajudar e trazer o tema para a mesa."

O ato de olhar mais para si, e falar dos problemas do dia a dia das mulheres, deve entrar também na seara do sexo. Marina Ratton, da Feel, levantou a discussão das dificuldades das mulheres em ter prazer. Tudo começa com a própria dificuldade em falar sobre o tema. Segundo ela, apenas 1% das mulheres no Brasil sabem nomear corretamente onde ficam vulva, vagina e clitóris, partes do corpo delas relacionadas ao sexo.

"A gente já parou para pensar que nossa ginecologista conhece melhor nossa vulva do que a gente?", pergunta ela, para quem as mulheres deveriam cuidar dessas partes do corpo com a mesma intensidade que cuidam do cabelo. "É importante falar disso, e tudo isso precisa ser nomeado, se não a gente não se autoconhece." A importância do prazer sexual é ainda mais relevante na fase mais madura das mulheres. "Passamos 40% da nossa vida depois da menopausa", diz Marina.

Para Viviane Duarte, da Plano Feminino e da Meta, trazer esses debates já é um grande passo para a mulher envelhecer com mais segurança. "Quanto mais a gente se abrir, mais a gente vai desmistificar nosso corpo", diz.

Veja o debate completo no YouTube da EXAME.