Despedida de Roger Federer: cinco lições de liderança do tenista

Nesta sexta-feira, 23, Roger Federer se despede das quadras durante uma partida com Rafael Nadal pela Laver Cup. Veja, a seguir, o que aprender com a carreira de uma das maiores lendas do tênis
 (Cameron Smith/Getty Images)
(Cameron Smith/Getty Images)
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Luciana Lima

Publicado em 23/09/2022 às 06:03.

Última atualização em 23/09/2022 às 12:58.

Nesta sexta-feira, 23, uma semana depois de anunciar a sua aposentadoria, acontece o último jogo da carreira de Roger Federer. 

A despedida de uma das maiores lendas do tênis acontece em uma partida ao lado de Rafael Nadal no torneio Laver Cup, uma espécie de amistoso em que equipes da Europa enfrentam times do resto do mundo.

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Quantos títulos tem Roger Federer?

O suíço Federer, de 41 anos, se despede das quadras com 20 títulos de Grand Slam e, como ele próprio disse no comunicado de aposentadoria, mais de 1.500 partidas jogadas ao longo de 24 anos. Ao todo, Federer finaliza a carreira com 103 títulos, sendo 1251 vitórias e 275 derrotas. 

"O tênis me tratou com mais generosidade do que eu poderia sonhar, e agora eu preciso reconhecer quando é a hora de encerrar minha carreira competitiva", diz um trecho da nota. 

Quanto Roger Federer ganhou na carreira?

Segundo a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), Roger Federer faturou US$ 130 milhões (cerca R$ 680 milhões) em premiações durante a carreira. 

Mas não é só isso. De acordo com a lista da Forbes deste ano, Federer é o tenista mais bem pago do mundo — título que ocupa há 17 anos seguidos. Seu patrimônio total é avaliado em US$ 90 milhões (aproximadamente R$ 456,3 milhões).

Como não é todo dia que uma grande estrela se despede das quadras, EXAME pediu para que Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, empresa de recrutamento do Talenses Group, destacasse algumas lições de liderança que podemos aprender com a trajetória do suíço.

Vianna, inclusive, confessa que é fã do tenista. "Sou um dos privilegiados por seguir e admirar talvez o maior tenista de todos os tempos, não só pelo que ele foi dentro das quadras, mas os valores que transmite em suas atitudes", diz.

Veja, a seguir, cinco lições de liderança de Roger Federer:

1. Adquirir inteligência emocional

O Federer do começo da carreira era um jovem marrento de cabelos amarelos, algo bem distante da imagem de cavalheiro que ele possui atualmente. Seu ex-treinador, Paul Dorochenko, chegou a dizer em entrevista ao site suíço Swissinfo, que o jovem tenista danificava as raquetes com frequência ao arremessá-las no chão em acessos de raiva.

"Ao longo de sua trajetória ele foi entendendo que tinha potencial para se tornar o número 1 e também o seu papel perante aos fãs", diz Vianna.

"Dito isto, Roger se tornou um dos tenistas mais bem preparados mentalmente. Esse foco, aliás, é o fator determinante para ganhar algumas partidas, frente à exaustão e o cansaço. Sem contar que, com esse comportamento, ele passou a ser visto como um exemplo para outros tenistas e um símbolo do respeito mútuo que deve haver no esporte", completa.

2. Aprender a perder

Dono de um currículo invejável e um dos maiores campões do tênis, nem tudo foram flores para Federer — que logo aprendeu que são nas derrotas que existem as lições importantes de uma carreira. 

"Ele sempre foi um crítico de si mesmo e perfeccionista.  Muitas vezes declarou que procurou entender os motivos de determinadas derrotas e como deveria se preparar para o próximo jogo", diz Vianna.

"O que é bem parecido com a trajetória de qualquer profissional: sabemos que um “tombo” pode nos derrubar, mas se aprendermos com ele estaremos mais preparados para o próximo capítulo das nossas vidas", afirma o especialista.

3. Nunca se acomodar

Federer foi protagonista de uma das gerações mais talentosas da história do tênis. Entre seus rivais estão nomes como Rafael Nadal, seu parceiro no jogo desta sexta-feira, e  Novak Djokovic.

Porém, o suíço não se apoiou apenas no talento para construir sua carreira, que também foi marcada por dedicação e disciplina.

"Ele adequou seus hábitos e regrou sua vida para se manter no auge por anos. Se aposenta com 41 anos, uma idade avançada para o esporte e, ainda mais, para o tênis que exige bastante fisicamente. Se não tivesse uma vida regrada e não se dedicasse ao máximo, dificilmente se manteria no topo por tanto tempo", diz Vianna.

4. Reconhecer a hora de parar

Os últimos três anos não foram fáceis para Federer, que enfrentou uma série de cirurgias para tratar uma lesão no joelho, o que obrigou que o atleta ficasse meses fora das quadras em reabilitação.

O tempo longe cobrou um preço e, neste ano, Federer despencou mais de 28 posições no ATP, alcançando seu pior lugar no ranking desde 1999. 

A ciência de que as lesões e limitações físicas poderiam comprometer o desempenho nas quadras, inclusive, foi citada na nota em que comunicou sua aposentadoria. "Eu tenho trabalhado duro para voltar totalmente à minha forma. Mas também conheço os limites e capacidades do meu corpo e a mensagem que ele enviou recentemente foi bem clara", afirmou.

Entender e reconhecer os próprios limites, aliás, é uma lição válida não só para atletas, mas para profissionais das mais diversas áreas.

5. Importância do legado

Há algum tempo, Federer tem se aventurado em negócios para além das quadras. Desde 2019, por exemplo, ele é um dos principais sócios da On Holdings, marca de tênis que estreou na bolsa de Nova Iorque no ano passado. 

Além disso, há 18 anos ele fundou a Roger Federer Foundation, instituição que apoia projetos educacionais para crianças em situação de vulnerabilidade em especial em países da África.

"Sabendo que, um dia ele teria de parar, pensou que poderia e deveria fazer algo mais pelos mais necessitadas. Agora, como tenista aposentado, poderá se dedicar e conseguir mais recursos para manter sua fundação ativa", diz Vianna.

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