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Crédito barato

Os bancos não anunciam, mas têm linhas de financiamento que cobram taxa de juro abaixo de 2%

São Paulo - O empresário paulistano Marcelo Brito, de 41 anos, fez um empréstimo no valor de 235 000 reais no final do ano passado e conseguiu juro de 1,17% ao mês. É uma taxa baixíssima se comparada às outras modalidades de crédito, cuja taxa média é de 10%. Marcelo optou por um financiamento que usa o imóvel como garantia da transação financeira.

Ele deixou um dos bens de sua empresa de construção civil como garantia no banco. “Se existe um bem, o banco fica mais seguro de que vai receber o dinheiro e oferece melhores condições ao cliente”, diz Raphael Rottgen, sócio-diretor da Sagace, consultoria de crédito imobiliário, de São Paulo.

Marcelo fez um contrato para pagar o empréstimo em 20 anos, já quitou duas parcelas no valor de 2 954 reais, mas quer acabar com a dívida assim que vender um dos imóveis de sua companhia. “Esse tipo de empréstimo é uma ferramenta saudável, que traz liquidez para ajudar na realização de sonhos”, diz Antonio Barbosa, diretor de crédito imobiliário do HSBC, em São Paulo. 

Apesar de ter juros baixos, pouca gente conhece essa modalidade de crédito. “Não é atrativo para as instituições financeiras porque elas deixam de ganhar com a taxa de juro, que é bem menor em relação a outros empréstimos”, diz Raphael, da Sagace.

Há três anos, quando a BM Sua Casa, empresa de crédito imobiliário focada em produtos para as classes média e baixa, lançou o BM Crédito Fácil, acreditava que demoraria alguns anos até conquistar clientes.

“Achávamos que as pessoas teriam dificuldades para entender o produto, porque o imóvel é um bem muito importante na vida do brasileiro”, diz Elyseu Mardegan, diretor da BM Sua Casa. Mas o resultado surpreendeu e hoje a maior parte dos seus clientes usa o Crédito Fácil. 

Além da BM Sua Casa, Bradesco, HSBC, Itaú Unibanco e Grupo Santander oferecem a linha de crédito que usa o imóvel como garantia. É fácil conseguir o crédito. Os bancos exigem que o imóvel esteja quitado e, na maioria das vezes, com a escritura no nome de quem solicita o empréstimo.

Em geral, o procedimento é parecido em todos os bancos. Primeiro você precisa solicitar uma carta de crédito, que é o documento que especifica quanto o banco vai emprestar.

A instituição financeira vai consultar informações sobre o seu histórico de dívidas e depois recolher os documentos relacionados ao imóvel: matrícula e comprovante de que não existe débito com o condomínio ou com o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).

A última etapa é a avaliação do imóvel. Com tudo aprovado, o banco faz um contrato e começa o processo de alienação fiduciária, ou seja, quando o seu imóvel passa a ser alienado ao banco. 

Em média, são 30 dias desde a entrega dos documentos até o recebimento do dinheiro. Se você solicitar o empréstimo e por algum motivo não conseguir arcar com o pagamento, a solução é entrar em contato com o seu gerente.

“O banco sempre tenta renegociar a dívida. A intenção não é pegar o imóvel”, diz Nilton Pelegrino Nogueira, diretor do departamento de empréstimos e financiamentos do Bradesco, em São Paulo. Por enquanto, os bancos e os clientes não tiveram grandes problemas. No HSBC, a inadimplência está abaixo de 1% desde 2005.

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