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Neymar na Copa: o que líderes do RH têm a dizer sobre a decisão de Ancelotti

Especialistas em liderança e psicologia explicam como a possível presença do jogador pode influenciar confiança, pressão e comportamento do time

Neymar: a possível convocação do jogador do Santos reacende debate sobre liderança, pressão emocional e influência dentro da seleção ( (Foto: Christian Alvarenga/Getty Images))

Neymar: a possível convocação do jogador do Santos reacende debate sobre liderança, pressão emocional e influência dentro da seleção ( (Foto: Christian Alvarenga/Getty Images))

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 16 de maio de 2026 às 08h01.

Última atualização em 18 de maio de 2026 às 19h58.

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Fim do mistério: Neymar estará na Copa do Mundo de 2026. A confirmação veio na tarde desta segunda-feira com a lista final do treinador italiano, Carlo Ancelotti.

Ancelotti chegou a afirmar que a convocação do jogador dependia apenas dele . Na coletiva desta segunda, o italiano falou que o craque do Santos vai jogar "apenas se merecer".

No entanto, mais do que uma decisão de desempenho técnico e esportivo, a participação de Neymar no time pode impactar na cultura entre os jogadores, como apontam especialistas em recursos humanos e liderança. 

“Jogadores muito simbólicos aumentam confiança, atraem responsabilidade e ajudam o time a lidar melhor com momentos de pressão”, diz Joaquim Santini, especialista em psicologia clínica organizacional. “Isso acontece também nas empresas. Líderes muito carismáticos ou centralizadores conseguem mobilizar rapidamente as pessoas, mas, no longo prazo, podem criar dependência excessiva e reduzir o protagonismo do grupo”, compara ele. 

Neymar como referência a equipe

A presença de jogadores experientes e acostumados a lidar com competições de alto estresse podem contribuir para uma equipe mais equilibrada – já que carrega junto a sua imagem um sentimento de segurança emocional. 

“Em momentos difíceis, essas lideranças ajudam a reduzir a ansiedade e dão ao time a sensação de que existe alguém capaz de assumir responsabilidade nos momentos críticos”, diz Santini. 

O nome ainda pode trazer inspiração para a equipe, contribuindo para a sensação de que “pode dar certo”. “A admiração pelo líder, nesse contexto, é crucial, não apenas pela competência técnica, mas também pela capacidade de inspirar e promover uma visão de futuro”, diz Marcella Moura, sócia da Acerta Consultoria e especialista em RH. 

“Essa figura estimula a confiança na capacidade de alcançar os objetivos, impulsionando os membros da equipe a se dedicarem além do esperado”, afirma Marcela. 

Milena Brentan, autora, psicóloga e especialista em desenvolvimento de lideranças, complementa a presença de uma figura de referência que pode aliviar parte da pressão sobre jogadores mais jovens ou menos acostumados com o palco. “Por outro lado, pode gerar uma responsabilidade maior para o time funcionar junto”, diz. 

A representação para os demais times

Na avaliação da doutora Andrea Deis, Neymar vai além do aspecto técnico dentro de campo e exerce um impacto simbólico sobre quem está ao seu redor. O jogador pode ser compreendido, na fenomenologia, como um “fenômeno de campo” — alguém capaz de alterar a percepção e o comportamento das pessoas à sua volta a partir de sua trajetória, presença e influência. 

“A presença do Neymar pode impactar os adversários, que naturalmente ajustam sua postura tática e entram em campo sob maior pressão diante de um jogador decisivo”, diz Marcella. “Quando há um atleta experiente, vencedor e reconhecido mundialmente em campo, o adversário tende a redobrar a atenção, modificar marcações e entrar mais tensionado emocionalmente”, afirma. 

O perigo da dependência

Especialistas alertam que a presença de uma figura tão central também pode gerar efeitos negativos dentro de equipes de alta performance. O principal risco é que o grupo passe a depender emocionalmente de um único nome — seja da sua performance, da sua presença em campo ou até do seu estado emocional.

“Quando tudo começa a girar em torno de uma única pessoa, o coletivo pode perder força”, afirma Joaquim Santini. “Os jogadores não podem se sentir espectadores. Existe o risco de transformar essa referência em uma dependência emocional”, complementa Andrea Deis.

Para Milena Brentan, o desafio está em evitar que a equipe funcione apoiada apenas em uma estrela. “O que mantém a performance no longo prazo é um sistema de liderança que não dependa de uma única figura para seguir motivando o time e entregando resultados”, diz. “O técnico precisa distribuir os papéis e fazer com que todos brilhem juntos.”

Do campo à empresa

As reflexões sobre a influência de Neymar dentro da seleção também encontram paralelos no ambiente corporativo. Segundo os especialistas, empresas enfrentam desafios semelhantes quando concentram decisões, visibilidade e responsabilidade em lideranças muito carismáticas ou centralizadoras.

“Nas empresas, uma figura forte pode até transmitir segurança ao grupo, mas, se concentra toda a responsabilidade, pode enfraquecer o time”, afirma Milena. Para Marcella Moura, as organizações podem aprender com o esporte de alto rendimento a importância de construir confiança coletiva, senso de pertencimento e equilíbrio emocional.

“O líder funciona como um alicerce da equipe. Em momentos de pressão, o grupo busca nessa figura inspiração e encorajamento”, diz.

Já Andrea destaca que o engajamento sustentável depende de um sentimento coletivo de propósito. “Quando o indivíduo sente que faz parte do projeto e não é apenas uma peça, ele aumenta sua potência e seu desempenho”, afirma.

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