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Você reconhece a importância do jornalismo infantojuvenil?

As crianças são bombardeadas por recursos online, como as redes sociais; isso tudo pode tornar difícil diferenciar o que é verdadeiro do que é falso

Qual é a importância do jornalismo infantojuvenil para os jovens e para a sociedade? Por que levar notícias de atualidades para as crianças, diante de tantos desafios enfrentados pelo jornalismo atualmente? Foi com essas perguntas na cabeça que comecei a escrever este texto. Embora minha mente seja inundada de respostas a cada vez que essas questões surgem, acredito que o momento vivido, entre as mais diversas crises, traz a necessidade de ir mais longe — além das nossas fronteiras.

Foi assim que decidi conversar com editores de jornais e revistas infantojuvenis de outros países e fazer essas mesmas perguntas a eles. Afinal, a tradição de levar notícias para crianças e adolescentes vem de décadas em locais como a Europa e os Estados Unidos.

Receber as respostas de meus colegas, que se alinham totalmente à trajetória que construí ao longo de mais de uma década na produção de conteúdo jornalístico para os jovens, trouxe ainda mais a certeza de que trabalhar, hoje, para informar esse público é o que precisamos para as transformações que todos desejam ver acontecer no mundo.

Mas, antes de partir para os adultos especialistas, veja o que dizem os principais interessados em toda essa história: os jovens. Como estamos abordando um território internacional, ouvi leitores do Joca, jornal infantojuvenil onde sou editora-chefe, que vivem em Utah, nos Estados Unidos, e usam a publicação, entre outros pontos, para se informar sobre o Brasil:

  • “Além do Joca, leio outros jornais e revistas. Tem o Tooele Transcript Bulletin que eu leio às vezes. Gosto porque ele informa o que está acontecendo na minha cidade. Eu gosto de estar informada.” Sophia A., 12 anos
  • “O jornal Joca é um bom lugar para olhar o que está acontecendo no Brasil.” Gracen B., 13 anos
  • Leio o New Era, da minha igreja, e o Tooele Transcript Bulletin, que me informa sobre minha cidade e por causa dos quadrinhos. O jornal Joca ajuda a aprender novas coisas sobre o Brasil.” Katelyn B., 12 anos

Agora, confira o que disseram:  Andrea Delbanco (diretora editorial da revista Time for Kids – EUA), Aralynn A. McMane (diretora da Global Youth & News Media, organização sediada na França que tem como objetivo fortalecer os vínculos entre os jovens e os meios de comunicação), François Dufour (editor-chefe e cofundador do jornal Mon Quotidien – França), Russell Kahn (editor-chefe do site e aplicativo News-O-Matic – EUA) e Simon T. Hjortkjær (editor-chefe interino do jornal Børneavisen – Dinamarca).

Além dos problemas

“O jornalismo para crianças está entre os melhores do mundo por diversas razões:

– Os editores levam os jovens leitores muito a sério e são cuidadosos ao costurar as histórias conforme a necessidade e a possibilidade de compreensão deles, garantindo que estão oferecendo notícias reais sobre questões reais.

– Eles também escutam seus leitores por meio de muita interação.

– Bem mais do que em qualquer outro tipo de noticiário, o jornalismo para crianças se concentra em soluções e não apenas em relatar os problemas.” Aralynn A. McMane, diretora da Global Youth & News Media

Antídoto contra fake news

“Devemos ensinar as crianças a serem leitoras e pensadoras críticas ao mesmo tempo em que as ensinamos a ler. Se, algum dia, nós quisermos superar a crise da desinformação, os jovens devem ser capazes de reconhecer o jornalismo competente, baseado em fatos e serem ensinados a distinguir fato de ficção. Se as crianças gostarem do que estão lendo, e aprenderem a amar o ato de explorar o que existe redor delas, o mundo será um lugar melhor”, declara Andrea Delbanco, diretora editorial da revista Time for Kids (EUA).

Notícias hoje por um futuro melhor

“Vejo o jornalismo infantojuvenil como um investimento no futuro da nossa sociedade. Ter crianças que são esclarecidas sobre o mundo que as rodeia não apenas beneficia um único indivíduo – a criança –, mas a sociedade do futuro que, esperançosamente, será povoada pelos jovens que tiveram seu pensamento crítico estimulado com uma mentalidade global e democrática.

Atualmente, as crianças são bombardeadas por recursos online, como as redes sociais. Isso tudo pode tornar difícil diferenciar o que é verdadeiro do que é falso. Eu acredito que o jornalismo apropriado, profissional e responsável é um caminho incrível para ajudar os jovens a navegar por este mundo.

O noticiário para adultos, muitas vezes, foca em situações dramáticas, conflitos e catástrofes. Acredito que o jornalismo para crianças tem o poder de inspirar ao invés de desanimar. Podemos contar às crianças sobre as coisas ruins que acontecem, mas sendo construtivos e focando no que está sendo feito para tornar tudo melhor. Podemos dar às crianças esperança e aspiração para melhorar o futuro”, diz Simon T. Hjortkjær, editor-chefe interino do jornal Børneavisen (Dinamarca).

Ferramenta para entender o mundo

“O jornalismo infantojuvenil nunca foi tão importante. Os jovens precisam, desesperadamente, saber como o mundo funciona — e como está constantemente evoluindo. É fundamental que se preparem para serem cidadãos globais e participantes ativos na sociedade. Além disso, o jornalismo ajuda os jovens a desenvolver um grande senso de empatia e compreensão. Isso pode salvar o mundo.

A infeliz verdade é que a geração atual vai enfrentar significantes desafios conforme cresce durante este século no planeta Terra. A crise ambiental segue se expandindo e as crianças vão encarar as maiores repercussões dos erros de seus ancestrais. Vamos precisar de jovens que ajudem a encontrar soluções para o nosso meio ambiente. Por que não os levar a ficar cientes da situação desde cedo? E não se trata de causar ansiedade, mas de oferecer ferramentas para que entendam a situação.

Estar exposto ao jornalismo na infância prepara os jovens a serem adultos com pensamento crítico. Isso não poderia ser mais relevante neste ponto da história, com a desinformação continuando a ameaçar a nossa democracia. O jornalismo infantil pode impulsionar as habilidades de alfabetização midiática que servirão aos leitores até a idade adulta. E isso dá esperança a qualquer sociedade”, declara Russell Kahn, editor-chefe do site e aplicativo News-O-Matic Editor (EUA).

O que é o jornalismo infantojuvenil?

“Ler notícias, todos os dias.

Aprendendo por meio de notícias, todos os dias.

Tornando-se consciente do mundo, todos os dias.

Compreendendo o mundo, dia após dia”, afirma François Dufour, editor-chefe e cofundador do jornal Mon Quotidien (França)

Números de três jornais infantojuvenis pelo mundo

Mon Quotidien, para leitores de dez a 13 anos | França

  • Lançado em 1995
  • Edições de segunda-feira a sábado (210 edições em 2020), com oito páginas
  • Cerca de 30 mil assinantes
  • 89,6% dos assinantes recebem o jornal impresso – 10,4% estão apenas no on-line

Le Petit Quotidien, para leitores de seis a dez anos | França

  • Lançado em 1998
  • Edições de segunda-feira a sábado (210 edições em 2020), com quatro páginas
  • Cerca de 40 mil assinantes
  • 92,1% dos assinantes recebem o jornal impresso – 7,9% estão apenas no on-line

First News, para leitores de sete a 14 anos | Reino Unido

  • Lançado em 2006
  • As edições são semanais, com 28 páginas
  • Cerca de 50 mil assinantes
  • Em média, 58 mil exemplares impressos por edição em 2020

Maria Carolina Cristianini

Editora-chefe do jornal Joca, para crianças e adolescentes, e Jornalista Amiga da Criança

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