A sucessão planejada entre CEO e Conselho garante a perenidade da visão estratégica (Klaus Vedfelt.jpg/Getty Images)
Chairman da FESA Group - Colunista Bússola
Publicado em 30 de março de 2026 às 10h00.
Por mais que eu tenha me preparado, a virada de 2025 para 2026 foi muito simbólica. Como alguns aqui acompanharam, fiz minha sucessão de CEO para a Presidência do Conselho.
Foram 2 anos de planejamento, conversas, preparação… E tudo correu extremamente bem.
Como comunicado, em dezembro de 25, passei o bastão ao meu sucessor e lá estava eu, prontinho para desfrutar das férias e colocar a cabeça e o coração em 2026!
Após 23 anos nas atividades diárias da empresa, sendo os últimos 13 anos como CEO, o que mais ouvi das pessoas próximas foi:
“Nossa, vai ser muito fácil para você se envolver em outros projetos”. “Vai ser ótimo para você”. E outras coisas do tipo.
Ainda assim, o frio na barriga bateu e foi forte! Nossa cabeça nos sabota.
Vira e mexe ficava elucubrando o que poderia dar errado, se as pessoas entenderiam o meu movimento, se eu acharia novas frentes que me desafiassem, e por aí vai.
Agora que já estou aqui, faço o balanço do primeiro trimestre nessa minha nova vida.
Tenho a facilidade de “virar a chave” muito rápido, portanto, nos primeiros dias do ano, minha preocupação era muito mais sobre como eu iria performar no meu papel de Presidente do Conselho do que ficar apegado à função de CEO.
Desapego, inclusive, é a palavra crucial.
Desapegar do que já não te faz feliz parece óbvio, mas, para muitos, não é fácil. Para mim foi.
Dá uma sensação de leveza, de frescor de agenda, de uma liberdade para se criar novas agendas, e novos problemas, o que me revigorou, me energizou e me moveu para frente.
Lembro-me de um evento interno da consultoria que fizemos em 2022 sobre ‘O Poder do Sim’.
Nada mais é do que estar aberto a ouvir e aberto às novidades. Diga mais “sim”. Fiz isso.
Tomei uns quatro litros de cafés e, ao longo dos inúmeros pães de queijo, almoços, vídeos e bate-papos, fui traçando o que seriam meus planos e minhas novas atividades, além, é claro, da posição do Conselho, que já comentei.
Essa diversidade de agenda vem me mostrando um novo modo de enxergar as coisas.
Da potência das relações, dos impactos que podemos causar em posições cada vez mais estratégicas, e que gastar e investir tempo onde você realmente “muda o ponteiro” é de um prazer inenarrável.
O resultado disso? Já ocupei a agenda com quatro ou cinco eventos dos quais participei como palestrante ou painelista, levando o nome e imagem institucional da consultoria.
Nos novos projetos, deparei-me com cinco mentoria de CEOs, um Advisory Board de uma empresa de Educação e mais tempo para o nosso Instituto, o qual eu tinha muita limitação de agenda.
E tem mais quatro ou cinco conversas rolando que espero contar em breve. Uma delas especialmente focada em outro sonho que tenho.
Desapegue para se renovar, essa é a grande lição que tive nesses primeiros 90 dias. E a parte ruim disso tudo é que o meu chinelo continua novinho, parado na prateleira.