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Qual a diferença entre tecnologias exponenciais e inovação disruptiva?

A distinção entre os dois conceitos é essencial para evitar a disrupção do próprio negócio

Os conceitos estão relacionados, mas não são sinônimos (patpitchaya/Thinkstock)

Os conceitos estão relacionados, mas não são sinônimos (patpitchaya/Thinkstock)

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Publicado em 10 de julho de 2023 às 20h00.

Por Glaucia Guarcello*

Grandes disrupções na história recente da humanidade foram, em grande parte, baseadas na utilização de tecnologias exponenciais e na criação de modelos de negócio em plataformas sem ativos físicos. De fato, diversos unicórnios foram fruto deste modelo de negócios e acabamos por associar as tecnologias exponenciais com o potencial de disruptar negócios. Apesar de relacionadas em diversos exemplos, estes conceitos não são sinônimos. 

Tecnologias exponenciais

Tecnologias exponenciais são aquelas que surgem a partir da digitalização de algo físico (fotos digitais e e-mails são exemplos). Elas se saem pior que as tecnologias vigentes por um tempo, porém possuem aumento de performance exponencial, acarretando disrupção tecnológica assim que essa performance atinge o nível da tecnologia vigente, desmaterializando, desmonetizando e democratizando o acesso. Por aumentarem sua capacidade continuamente sem um aumento proporcional de custos, as tecnologias exponenciais tendem a ter custo marginal zero. Ou seja, ter mais usuários apenas aumenta o retorno e não o custo fixo (como pessoas e ativos físicos).

Inovação disruptiva

Inovação disruptiva ocorre quando uma solução rompe o modelo de negócios de uma indústria vigente, utilizando (ou não) tecnologias exponenciais. Um exemplo histórico, que não se baseou em uso de tecnologia exponencial, foi a da indústria de especiarias. Esta indústria foi disruptada pela indústria de gelo natural e, posteriormente, pela artificial, por este material ser mais eficiente na conservação de alimentos que as especiarias. O que já foi a maior indústria do mundo sofreu disrupção por um material substituto e não por uma tecnologia exponencial.

Também existem diversos exemplos de utilização de tecnologias exponenciais que apenas substituem processos core já existentes, como o uso de inteligência artificial na otimização da gestão ou de plataformas de gestão para gerenciamento e integração de processos de produção. Por mais disruptivas que estas tecnologias exponenciais sejam por si, se sua aplicação consiste em melhorar o que já é feito para quem eu já se vende, não se trata de inovação disruptiva.

E por que isso é importante?

Porque nós líderes, se não diferenciarmos estes conceitos, corremos o risco de confiar apenas na adoção de tecnologias exponenciais como forma de nos resguardar das ameaças de inovação disruptiva. Se não nos propusermos a experimentar novos modelos de negócios em nosso portfólio estratégico de investimentos em inovação, podemos ter nossa indústria disruptada, mesmo que sejamos extremamente eficientes em nosso core business através da adoção de diversas tecnologias disruptivas.

Na dúvida, experimente soluções que possam mudar seu modelo de negócio, que atinjam novos mercados com novos produtos e serviços ao mesmo tempo, para aumentar a probabilidade de encontrar inovações disruptivas. Não se trata de uma solução OU outra, e sim de uma solução E outra. Financie essas experimentações, pois temos de viver hoje, mas também precisamos ser relevantes amanhã.

*Glaucia Guarcello é professora do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC e sócia-líder de Inovação da Deloitte

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