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Por Francisco Pereira*

Ter capital de giro disponível é essencial para qualquer indústria manter a sua operação saudável e investir em desenvolvimento. No entanto, em cenários de juros em alta no mercado e aumento da inadimplência, o acesso ao crédito pode ficar mais complexo. Isso acontece porque as soluções ficam mais caras em instituições financeiras tradicionais, tornando mais desafiador o processo de levantar capital para as operações. Dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian revelam que em fevereiro deste ano, o Brasil tinha 6,5 milhões de empresas negativadas. O volume de dívidas atrasadas chegava a quase R$ 113 bilhões, o maior desde o início da série histórica, em 2016. Nessa realidade, recorrer às fintechs pode ser uma alternativa interessante para as indústrias.

Ao combinar soluções tecnológicas e financeiras para oferta de produtos e serviços de forma mais eficiente e acessível aos clientes, estas empresas conseguem permear mercados ainda pouco assistidos quando o assunto é crédito. No início, as fintechs eram associadas apenas aos bancos digitais, entretanto, a gama de soluções desse tipo de empresa é ampla e pode incluir meios de pagamentos, empréstimos, investimentos, seguros e entre outras.

O segmento geralmente utiliza tecnologias como inteligência artificial, machine learning, big data e outras ferramentas para criar soluções financeiras inovadoras. Com isso, elas também conseguem simplificar processos e reduzir custos. Estas mudanças fazem parte da transformação digital que todos os setores da economia têm sentido e passado nos últimos anos. De acordo com o Report Indústria 2023, do Distrito, antes de 2014, o termo “Indústria 4.0” era praticamente inexistente nas pesquisas do Google. Uma pesquisa global realizada em 2019 pela McKinsey mostrou que 68% dos entrevistados consideravam a Indústria 4.0 uma prioridade estratégica, enquanto 70% afirmaram que suas empresas já estavam testando e implementando novas tecnologias.

Um ponto relevante é que as fintechs oferecem maior flexibilidade ao ofertarem serviços personalizados e adaptados às necessidades dos clientes. Além disso, o que as diferenciam de empresas tradicionais é o uso intensivo da tecnologia como pilar do negócio, o que aumenta a eficiência na operação. O mercado atualmente oferece  soluções de gestão financeira mais eficientes, como a antecipação de recebíveis,  para que a indústria antecipe o recebimento dos valores aos quais ela já tem direito e melhore seu fluxo de caixa, sem aumentar o grau de endividamento do negócio. Outra possibilidade são os serviços de conciliação bancária e gestão de pagamentos. Essas alternativas podem ajudar as indústrias a reduzirem custos, aumentarem sua eficiência e melhorarem seu controle financeiro.

Mais um diferencial das fintechs para a indústria é a agilidade. Geralmente, elas são mais rápidas para encontrar soluções, em especial, pela menor burocracia em seus processos. A influência tecnológica também permite que tão logo aconteça uma mudança no mercado ou surja uma nova tendência, elas desenvolvam melhorias em suas operações em tempo recorde.  Com as instituições tradicionais mais cautelosas em relação à concessão de recursos, como empréstimos, tendo em vista os riscos envolvidos nas operações, as fintechs podem ser uma boa alternativa para as indústrias, com soluções de financiamento de curto prazo e a blindagem frente à inadimplência. É o uso da tecnologia ajudando a fortalecer a retomada econômica, que em um cenário tão desafiador, ainda encontra dificuldades em avançar.

*Francisco Pereira é formado em Administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas),  especialista em soluções de crédito para as pequenas e médias empresas e CEO da Trademaster, fintech que alavanca as vendas nas cadeias de distribuição e impulsiona o crescimento sustentável do varejo.

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