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Quais são os caminhos e oportunidades para a economia verde?

Migrar para uma economia verde passa, necessariamente, por descarbonizar a economia

Sustentabilidade dos negócios emerge como um caminho sem volta (Galeanu Mihai/Getty Images)

Sustentabilidade dos negócios emerge como um caminho sem volta (Galeanu Mihai/Getty Images)

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6 de janeiro de 2022, 12h00

Por Renato Rocha*

A pandemia de covid-19, que ainda não nos deixou, abalou os fundamentos do mundo promovendo fissuras por toda a parte. Além da sua face mais letal, que ceifou mais de cinco milhões de vidas ao longo de dois anos, vimos também o triste esgarçamento do tecido social, com o aumento das desigualdades, ainda que em diferentes intensidades a depender de cada país, num processo que tem soado alarmes para a urgência de mudanças.

Na esteira da construção de um mundo mais inclusivo, a sustentabilidade dos negócios emerge como um caminho sem volta. Um dos fatores chave para o êxito desse movimento é justamente o advento da chamada “economia verde”, de baixo impacto ambiental.

Migrar para uma economia verde passa, necessariamente, por descarbonizar a economia, que por sua vez, tem na sua eletrificação o principal promotor desse processo, inserindo o setor elétrico numa posição de destaque para capturar as oportunidades oriundas dessa travessia tão disruptiva que já teve início.

O Brasil, que conta com uma matriz elétrica extremamente limpa, com 85% de sua energia proveniente de fontes renováveis, larga na frente em muitos aspectos nessa jornada, haja vista a abundância de recursos naturais, que dispõe. Não será, porém, um caminho fácil. Apesar da posição privilegiada no que diz respeito a fontes renováveis, o país ainda carece de robustos investimentos para que seja cada vez mais viável o manejo da energia elétrica num território de dimensões continentais, e aqui não estamos falando somente de puxar rede (o que já exige esforço), mas, igualmente, de investir em redes inteligentes e digitalização para permitir a redução de desperdícios e customizar o serviço num mercado em franca liberalização.

Soma-se a isso, sob pena de não conseguir tirar o máximo dessa janela de oportunidade, é imprescindível seguir aprimorando o arcabouço regulatório e tributário para que se cristalize um ambiente de negócios efetivamente favorável às novas tecnologias, que terão massiva maturação na próximo década, e aqui destaco em especial o hidrogênio verde e até mesmo a geração eólica offshore.

Um terceiro ponto, é seguirmos avançando no desenvolvimento de um mercado de financiamentos verdes, justamente para apoiar os investimentos direcionados a compromissos ambientais. O Brasil é o principal emissor desses títulos entre os países latino-americanos, liderando tanto em emissões quanto em valores, tendo realizado desde 2015 (ano da primeira emissão) mais de U$10 bilhões em transações desta natureza, porém ao compararmos com os U$270 bilhões emitidos globalmente em 2020, vemos que ainda há muito espaço para crescer.

À medida que consolidemos a regulação e tenhamos mais clareza e padronização das métricas de desempenho verde, os custos dessas linhas tendem a se tornar mais competitivos que o de linhas tradicionais, fornecendo mais um importante sinal na direção da descarbonização da economia.

Na Neoenergia, temos muito orgulho de estar sendo protagonistas em todas essas frentes. Temos hoje uma matriz 88% renovável e chegaremos a 90% no próximo ano com a entrada em operação de mais um complexo eólico de 566,5 MW e de nossos primeiros parques solares que compreendem 149 MWdc, ambos situados no nordeste brasileiro.

Estamos, da mesma forma, acompanhando e contribuindo com o amadurecimento regulatório para as usinas eólicas em alto-mar, parques híbridos, bem como firmando MOU´s com estados visando o melhor posicionamento para, no futuro, atuarmos no hidrogênio verde.

Fomos pioneiros entre as empresas privadas do setor elétrico na construção de um Green Finance Framework que serve de guia e estabelece nossos compromissos para a gestão sustentável dos negócios, assegurando maior transparência aos investidores quanto à alocação e destinação de recursos captados via financiamento verdes.

Desde 2019 já levantamos mais de R$3 bilhões em títulos verdes, com destaque para a recente captação de R$ 500 milhões na Neoenergia Elektro, que configurou na primeira captação de natureza verde, em uma Distribuidora de Energia no Brasil.

Transição não é ruptura, e por isso tem que ser feito com cuidado e responsabilidade para que não gere ineficiências que no fim, recaem sobre a forma de sobrecustos para toda a economia.

A transição para uma economia verde de baixo carbono já começou. Que sejamos diligentes como sociedade civil para assegurar que o Brasil tenha um lugar de destaque no palco mundial confirmando sua vocação de país rico em recursos.

A Neoenergia está fazendo a parte dela.

*Renato Rocha é diretor adjunto de Relações com Investidores da Neoenergia

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