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Opinião: para ser sustentável, moda brasileira precisa de criatividade

Entenda por que o segredo da moda brasileira é sua criatividade e irreverência – e como isso garantirá sustentabilidade

Fernanda Torres, mais recente expoente do brasileirismo em ensaio da Arezzo (Fernanda Torres/ Arezzo/Divulgação)

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Publicado em 11 de maio de 2026 às 13h00.

Última atualização em 11 de maio de 2026 às 14h55.

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Por Suelen Joner*

A moda brasileira carrega algo que não se constrói da noite para o dia: uma cadeia produtiva viva, diversa e enraizada em territórios com identidade própria, capaz de unir criatividade, técnica e responsabilidade de um jeito muito singular. É uma indústria que se forma no encontro entre o local e o global, entre tradição e inovação, entre escala e identidade, e é justamente nesse encontro que reside a sua força — e o que nos posiciona de maneira única em um mercado global que busca cada vez mais autenticidade.

Mais do que um setor, a moda é feita de conexões e, cada escolha, seja ela visível ou não, reverbera ao longo de toda a cadeia, desenhando um percurso que vai da origem das matérias-primas até o momento em que você escolhe, compra e leva uma peça para sua casa, abrindo ainda espaço para suas possibilidades pós-consumo.

Ao mesmo tempo em que traduz comportamento e cultura, ela também revela as contradições e os desafios de um modelo de produção complexo, fragmentado e altamente interdependente. Nesse contexto, cresce a percepção de que não é mais possível dissociar desempenho de impacto, nem resultado de responsabilidade. O mercado agora reconhece que o potencial de um negócio está diretamente ligado à sua capacidade de gerar um impacto positivo real.

Esse olhar tem provocado uma mudança silenciosa, mas estrutural: o que antes era tratado como agenda complementar passa a ocupar o centro das decisões e é algo cada vez mais transversal para as empresas. Assim, a sustentabilidade deixa de ser um recorte específico para se tornar uma lente através da qual a organização é pensada, conduzida e vivida.

Ao fazermos isso, também ampliamos o próprio conceito de valor das nossas empresas, que passam a incorporar mais eficiência e escala e, acima de tudo, resiliência, transparência e capacidade de adaptação. É uma dinâmica que faz do risco uma oportunidade de novos modelos de atuação.

Ao mesmo tempo, esse movimento nos revela um ponto fundamental: em uma indústria tão conectada, não há progresso consistente quando ele acontece de maneira isolada. Avanços reais só se consolidam quando todos os elos da cadeia compartilham a mesma linguagem de responsabilidade e o mesmo compromisso com um futuro mais limpo, justo, ético e transparente.

É a partir dessa lógica coletiva que a transformação de verdade se concretiza, quando fornecedores, parceiros, associações, consumidores e lideranças empresariais decidem, juntos, elevar o nível de exigência, entendendo que o padrão de hoje precisa ser mais alto do que o de ontem. Nesse contexto, a sustentabilidade deixa de ser o diferencial de quem pode e passa a ser a identidade de quem quer continuar existindo e sendo relevante.

E é nesse ponto que o conceito de ecossistema se torna central. Na biologia, nenhum organismo sobrevive isoladamente; sua existência depende das relações que tece e da capacidade de adaptação ao ambiente. Na moda, a lógica é a mesma.

Marcas dependem de uma cadeia produtiva robusta, de instituições que orientam e regulam o setor, de outras varejistas que ajudam a definir padrões e de consumidores cada vez mais conscientes. Quando essas conexões se fortalecem, o impacto se distribui, se amplifica e conquista ainda mais escala.

Com o objetivo de fortalecer a moda brasileira, precisamos focar naquilo que genuinamente nos diferencia: nossa criatividade irreverente, nossa autenticidade cultural, a riqueza incomparável da nossa biodiversidade e, sobretudo, nossa responsabilidade com as pessoas e com o meio ambiente, de hoje e do amanhã.

É nessa visão que temos avançado no Azzas 2154: entendendo que evolução real só acontece quando se estende para além das operações e alcança toda a cadeia. Na prática, isso já se reflete em nossa base de fornecedores, em que 90% deles contam com certificação socioambiental ou passam por auditorias periódicas, reforçando a responsabilidade compartilhada e a geração coletiva de valor que acreditamos.

Sabemos também que esse caminho se faz em rede e na capacidade de engajar todo o ecossistema. No fim, a moda que queremos construir não é apenas mais sustentável: é mais colaborativa, mais consciente e, acima de tudo, mais conectada com o futuro que já começou a ser costurado.

*Suelen Joner é Head de Sustentabilidade do Azzas 2154.

 

 

 

 

 

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