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Na CPI, minar a legitimidade dos oponentes expõe posição frágil do governo

Nem uma investida contra governadores teria força para inverter a matemática contrária ao governo, embora possa elevar a temperatura

Por Alon Feuerwerker*

O front da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia vem se mostrando desfavorável ao presidente da República. Um sintoma: o esforço principal dos apoiadores do governo não tem sido para defender as ações presidenciais, mas para buscar enfraquecer a legitimidade dos depoentes críticos do chefe. Transcorreu, entretanto, apenas uma semana, dos noventa dias previstos (prorrogáveis por mais noventa). Dias melhores, e piores, certamente virão.

A resposta do Planalto, aparentemente, é dobrar a aposta. Tendência refletida, entre outras coisas, nas sucessivas declarações de Jair Bolsonaro sobre o eventual decreto contra as medidas de isolamento social. Se se materializar, certamente enfrentará obstáculos judiciais. A dúvida é sobre como, e se, reagirá o Congresso Nacional. De todo modo, a manobra seria útil ao propósito de dividir as atenções com os depoimentos e revelações da CPI.

Ainda que uma derrota nessa frente do decreto antilockdown possa produzir efeito-bumerangue.

A primeira semana não trouxe nada além do previsto, ainda que este “previsto” já fosse suficiente para gerar alguma turbulência. Quem tinha de atacar, atacou. Quem tinha de defender, defendeu. Mas não houve fato novo relevante, um daqueles de arrancar manchetes e abrir telejornais. Como o governo agiu sobre a cloroquina e sobre as vacinas? Já se sabia. Agora, a esperança de surgir um fato novo foi transferida para adiante. Para os próximos depoimentos.

Com especial curiosidade para o que dirão o ex-secretário de Comunicação e o antecessor do atual ministro da Saúde. Sobre os dois focos de atenção da CPI até o momento: as vacinas e a cloroquina. E um ponto é se, e como, ambos vão defender o presidente. Pois em última instância é isto que interessa à maioria da CPI: ela não está atrás de peixes pequenos, ou de ex-peixes, mas do chefe do cardume. CPIs têm ferramentas da polícia, mas são instrumentos políticos.

Atenção também para a eventualidade de se desencadearem operações contra os governadores. O que elevaria ainda a temperatura, mas dificilmente teria por si só a capacidade de inverter a matemática da CPI a favor do governo federal.

*Alon Feuerwerker é analista político da FSB Comunicação

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