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Debêntures e fundos de investimentos lideram a captação no mercado de capitais 

A preferência por certos investimentos têm ganhado força, especialmente em momentos de maior volatilidade no mercado financeiro

2026 ainda oferece espaço para ganhos acima do CDI, mas dentro de um cenário que tende a exigir escolhas mais técnicas e seletivas. (Rmcarvalho/Getty Images)

2026 ainda oferece espaço para ganhos acima do CDI, mas dentro de um cenário que tende a exigir escolhas mais técnicas e seletivas. (Rmcarvalho/Getty Images)

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Publicado em 25 de dezembro de 2024 às 10h00.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC de elevar, pela segunda vez consecutiva, a taxa Selic para 12,25% em novembro de 2024, tende a intensificar a movimentação nos mercados financeiros. Historicamente, aumentos nas taxas de juros incentivam a migração de capitais para ativos de renda fixa, uma vez que muitas empresas tendem a antecipar captações para se proteger de possíveis aumentos futuros nos custos de financiamento, enquanto investidores procuram maior preservação de capital,  com maior liquidez, segurança e previsibilidade.

A preferência por esses investimentos têm ganhado força, especialmente em momentos de maior volatilidade no mercado financeiro. Esse comportamento foi notado ao longo do ano  e deve se repetir com a recente alta da Selic, considerando especialmente o cenário de incerteza econômica, tanto nacional quanto internacionalmente.

Renda fixa ganha força em meio à incerteza

O apetite dos investidores por produtos com retorno estável e previsível aumenta a liquidez disponível para operações de emissão de títulos, como debêntures, notas promissórias e certificados de recebíveis (CRIs e CRAs).

Na outra ponta, as empresas se beneficiam já que com um mercado mais líquido, e conseguem  captar recursos a condições favoráveis e mais baixas do que outras alternativas. Isso é particularmente relevante em um momento de maior seletividade no mercado de crédito tradicional.

Esse movimento se reflete nos números recordes registrados no mercado de capitais brasileiro. Até setembro deste ano, o volume captado no mercado de capitais brasileiro alcançou R$ 633,6 bilhões, um crescimento de 85% em relação ao mesmo período de 2023. Segundo a ANBIMA, 89% desse montante foi obtido por meio de ativos de renda fixa, consolidando a modalidade como a principal escolha para captação empresarial. 

Entre os instrumentos que se destacaram, as debêntures lideraram as emissões, representando 60% do total de ofertas, seguidas pelos títulos de securitização, que incluem CRIs, CRAs e FIDCs, com 22%, e pelas notas comerciais, que somaram 6%. “O investidor hoje quer rentabilidade, mas, acima de tudo, quer proteção. Isso explica o interesse crescente por produtos securitizados atrelados a que oferecem segurança e estabilidade em momentos de volatilidade no mercado”, comenta José Alexandre Freitas, CEO da Oliveira Trust.

As notas comerciais, por sua vez, aumentaram 87,5% no acumulado até setembro, em comparação ao mesmo período de 2023, reforçando sua importância crescente como instrumento para democratizar o acesso ao mercado de capitais e consolidando-se como uma alternativa eficaz de financiamento para empresas. A preferência por notas comerciais também reflete a busca por praticidade e menores custos administrativos, uma vez que esse instrumento permite captação rápida, sem a burocracia exigida por debêntures. 

No acumulado do ano, a captação líquida de fundos de investimento somou R$ 245 bilhões, com destaque para os fundos de renda fixa e os de FIDC, que captaram R$ 312 bilhões e R$ 109 bilhões, respectivamente.

Oliveira Trust acompanha a expansão do setor 

Com o crescimento do mercado de renda fixa, empresas especializadas em serviços fiduciários e administração de fundos, como a Oliveira Trust, têm acompanhado essa expansão, consolidando seus resultados em alinhamento com a evolução do setor. A companhia, por exemplo, reportou receita líquida de R$ 74,7 milhões no 3T24, marcando um crescimento de 19% frente ao mesmo período de 2023.

No acumulado de 2024, a empresa que é líder de mercado  em agente fiduciário, também viu avanços nas operações emitidas, com um aumento de 25% em CRIs, 24% em CRAs e 21% em debêntures. No período ainda alcançou R$ 154 bilhões em Ativos sob Administração (AuA) e R$ 160 bilhões em Ativos sob Custódia (AuC), representando aumentos de 7% e 10%, respectivamente, quando comparados ao 3T23. No acumulado de nove meses, a receita totalizou R$ 216,9 milhões e o Lucro Líquido R$ 76,1 milhões, superando em 20% e 35%, respectivamente, os resultados alcançados em 2023.

Na escrituração de fundos de investimento e títulos de dívida, o volume financeiro cresceu 26%, atingindo R$ 434 bilhões, com destaque para o número de operações escrituradas de CRIs e Notas Comerciais, com crescimento de 61% e 185%, respectivamente. A companhia ainda expandiu seu portfólio, ultrapassando a marca de 200 fundos sob administração. 

Em meio a esse cenário, Freitas observa que “o mercado de crédito se firmou como um dos principais destinos para alocação de recursos. O cenário global incerto e as pressões fiscais locais reforçam a busca dos investidores por ativos de menor risco e maior previsibilidade, impulsionando o setor de renda fixa e as operações estruturadas, geralmente contratadas com prestadores de serviços fiduciários tradicionais e com histórico de boa performance em cenários mais turbulentos. A sinalização de aumento da taxa Selic continua a oferecer suporte a essa tendência, enquanto as perspectivas de médio prazo ainda dependem de desdobramentos no cenário macroeconômico, tanto no Brasil quanto no exterior”. 

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