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Temer diz que não há risco de intervenção militar em decorrência da greve

Presidente também afirmou que o governo poderá ingressar com ação junto ao STF para que seja declarada ilegal a greve convocada por petroleiros

Michel Temer: presidente afirmou nesta terça-feira que não há risco de intervenção militar em decorrência da paralisação de caminhoneiros (Ueslei Marcelino/Reuters)

Michel Temer: presidente afirmou nesta terça-feira que não há risco de intervenção militar em decorrência da paralisação de caminhoneiros (Ueslei Marcelino/Reuters)

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Reuters

Publicado em 29 de maio de 2018 às 11h35.

Última atualização em 29 de maio de 2018 às 14h46.

São Paulo - O presidente Michel Temer afirmou nesta terça-feira que não há risco de intervenção militar em decorrência da paralisação de caminhoneiros, apesar de alguns manifestantes defenderem um golpe militar para derrubar o governo.

Em entrevista a um pequeno grupo de jornalistas estrangeiros em fórum de investimentos em São Paulo, Temer disse ainda que a redução do preço do óleo diesel anunciada pelo governo como parte das medidas para tentar acabar com a greve não irá reverter as reformas realizadas pela Petrobras para garantir a independência da estatal.

Temer também afirmou que o governo irá ingressar com ação junto ao Judiciário para que seja declarada ilegal a greve convocada por petroleiros para quarta-feira.

A paralisação dos caminhoneiros, que entrou no nono dia nesta terça, esvaziou estradas e deixou grandes cidades desabastecidas de alimentos, combustíveis e suprimentos médicos. O movimento permaneceu mesmo após o governo fazer concessões em quase todos os pontos reivindicados pelos caminhoneiros.

Alguns manifestantes têm pedido uma intervenção militar no país, assunto que tem sido constante nas redes sociais, e o pedido também tem aparecido em diferentes protestos contra o governos nos últimos anos.

"Em primeiro lugar, eu dou nota zero à possibilidade de intervenção militar", disse Temer na entrevista.

"Até porque eu tenho conversado com todos os setores do governo, naturalmente com o Ministério da Defesa, onde estão as Forças Armadas e, ao contrário, o que eu vejo é o repúdio absoluto, dentro do Ministério da Defesa e das Forças Militares, de qualquer tentativa de tentar impor a intervenção militar."

Pesquisas mostram que Temer é o presidente mais impopular desde o fim do regime militar (1964 e 1985). Ele foi alvo de duas denúncias criminais da Procuradoria-Geral da República, que tiveram seus andamentos barrados pela Câmara dos Deputados, e ainda responde a inquéritos junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) que podem levar a novas denúncias.

Se a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, decidir denunciar Temer criminalmente, dependerá novamente da Câmara dos Deputados decidir se permite ao STF analisar a acusação.

Apesar da vitória nas duas denúncias apresentadas no ano passado pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não está claro se Temer tem no momento apoio parlamentar para sobreviver a uma nova acusação, especialmente com a eleição em outubro e com a crescente demonstração de descontentamento da população com a classe política.

Posição dura

O governo começou a endurecer seu discurso contra o protesto dos caminhoneiros, e ameaçou punir "infiltrados políticos" que estariam se aproveitando do movimento para desestabilizar o país. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, prometeu pesadas multas contra empresas que, segundo ele, estariam realizado locaute.

"Você pode ter certeza de que a partir de hoje, nós vamos começar a encontrar esses infiltrados, nós vamos multar essas empresas, que serão 100 mil reais por hora, e o Cade também vai entrar nessa parada fazendo com que essas empresas de um lado, e pelo outro lado através da Polícia Rodoviária Federal, eles saibam exatamente o que vão pagar, o preço que terão que pagar por esse sofrimento que impuseram à toda população brasileira", disse o ministro em entrevista à rádio CBN.

Os bloqueios nas estradas e o desabastecimento de combustíveis suspenderam os trabalhos em setores como automotivo até cana-de-açúcar, afetando as exportações de produtos que vão de carne à soja, passando por café e carros.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) disse que o abastecimento de combustível começou a melhorar em cidades como Rio de Janeiro e Brasília, mas continua escasso, por exemplo, em São Paulo.

Levará pelo menos uma semana para que a distribuição de combustível volte ao normal, de acordo com a ANP.

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