Brasil

Tarcísio veta obrigatoriedade de cardápio físico em restaurantes de SP

Governo de São Paulo considerou o projeto inconstitucional por ferir a livre iniciativa e vetou integralmente a proposta

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 18h45.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vetou integralmente o projeto de lei que obrigava bares e restaurantes a oferecerem cardápio físico aos clientes, mesmo quando optassem por versões digitais.

A decisão foi publicada nesta sexta-feira, 23 de janeiro, no Diário Oficial do Estado.

O governo argumenta que a proposta fere o princípio da livre iniciativa, previsto na Constituição Federal como base para a atividade econômica no país.

Além disso, afirma que normas já existentes garantem a transparência de preços e o direito à informação para os consumidores.

O projeto de lei, apresentado em 2023 na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), exigia que o menu impresso estivesse disponível “em local visível e de fácil acesso”, como alternativa ao uso exclusivo do QR code — sistema digital de leitura de cardápios popularizado durante a pandemia da covid-19.

A proposta, segundo os autores, buscava atender principalmente clientes sem acesso fácil a dispositivos eletrônicos ou conexão à internet.

O veto foi total, ou seja, nenhuma parte do texto foi sancionada, como consta na publicação oficial.

Agora, a decisão será analisada pelos deputados da Alesp, que poderão mantê-la ou derrubá-la em votação.

Governo vê sobreposição legal; projeto alegava acessibilidade

De acordo com o projeto de lei 1311/2023, a exigência do cardápio impresso visava garantir a acessibilidade e a inclusão de todos os consumidores no acesso às informações de produtos e serviços ofertados.

O texto não previa sanções diretas, mas autorizava a fiscalização pelos órgãos competentes.

Na justificativa oficial, o governo de São Paulo afirma que a proposta representa uma interferência indevida na iniciativa privada e que há sobreposição normativa, citando o Código de Defesa do Consumidor e normas estaduais já vigentes.

Esses dispositivos, segundo a gestão estadual, seriam suficientes para assegurar os direitos dos consumidores.

Para que o veto seja derrubado, será necessário o voto favorável de pelo menos 48 deputados entre os 94 que compõem a Alesp.

Acompanhe tudo sobre:Estado de São PauloTarcísio Gomes de FreitasRestaurantesBares

Mais de Brasil

Anvisa proíbe venda de suplemento que prometia equilíbrio glicêmico sem comprovação científica

CNU divulga resultado preliminar da prova discursiva nesta sexta-feira; veja o horário

Pessoas negras tem 49% mais chance de morte por homicídio, diz estudo

CET-SP aplica 10 mil multas em shoppings e mercados da capital paulista