(Renato Pizzutto/Band)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 17h50.
Última atualização em 26 de outubro de 2026 às 18h26.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira, 26, a entregar seus passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas. A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também proíbe o parlamentar de deixar o país e de manter contato com o advogado Willer Tomaz. Os dois são citados em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas. Na sexta-feira, 23, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores ligados ao advogado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, foi intimado pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira, 26, a entregar seus passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi confirmada pela EXAME.
Moraes é o relator de um inquérito que investiga a relação do senador com o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso das fraudes do INSS.
A decisão também proíbe o parlamentar de deixar o Brasil e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, seu amigo e investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas. A PF suspeita que os dois sejam sócios, por exemplo, da Best Bet, casa de apostas que o advogado fundou e controlou. Ambos negam ter qualquer sociedade.
A intimação foi realizada na manhã desta segunda-feira, um dia após Flávio ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. As medidas estão relacionadas a uma investigação que apura possíveis movimentações financeiras irregulares envolvendo o senador e o advogado e a possível sociedade oculta de ambos na empresa Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi abordado por agentes da PF após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
"Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula me intimou na rua. Eu fui intimado para entregar meu passaporte e também estou proibido de deixar o país", disse.
O senador afirmou que a decisão foi tomada na noite de domingo, após o resultado da eleição, e questionou a medida, classificando-a de perseguição. Segundo ele, a determinação teria levado em consideração uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que defendeu que Flávio deixasse o país caso fosse derrotado. Eduardo vive nos Estados Unidos em autoexílio.
A PF também investiga o destino de recursos pagos por Daniel Vorcaro a uma offshore non Texas ligada a um advogado amigo de Eduardo. A suspeita é que os valores, supostamente arrecadados para a realização do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, teriam sido desviados para benefício próprio do ex-deputado.
"Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar", afirmou Flávio Bolsonaro.
Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF. Em um deles, é suspeito, ao lado de Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas.
O outro inquérito apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação relacionada às apostas está sob a relatoria de Alexandre de Moraes e teve origem em um procedimento conduzido pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul.
O caso chegou ao Supremo depois que os investigadores identificaram referências ao senador, que possui foro por prerrogativa de função em razão do mandato parlamentar.
A PF apura suspeitas de movimentações financeiras irregulares e possíveis mecanismos de ocultação de recursos por meio de empresas do setor de apostas e plataformas de pagamento vinculadas ao advogado.
Entre os elementos identificados pelos investigadores está uma conta bancária ligada à empresa Alcazar Holdings, associada a Willer Tomaz.
Segundo a investigação, Flávio aparecia como usuário com acesso privilegiado à conta, identificado como master, termo utilizado para designar um perfil com permissões ampliadas de acesso.
Os investigadores buscam esclarecer a natureza dessa vinculação e se houve movimentações financeiras realizadas pelo parlamentar.
A defesa de Willer nega que Flávio tivesse esse tipo de acesso à conta e afirma que os dois mantêm apenas uma relação de amizade, sem movimentações financeiras entre eles.
A Polícia Federal também identificou registros de viagens, encontros e relações comerciais envolvendo os dois.
Uma das linhas de investigação busca esclarecer a origem e o destino de recursos movimentados por empresas relacionadas ao advogado, incluindo uma conta que registrou aproximadamente R$ 130 milhões em operações entre março e maio de 2025.
Na última sexta-feira, 23, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados a Willer Tomaz.
A decisão também determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado, além da suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de empresas ligadas a ele.O ministro ainda adotou medidas relacionadas aos passaportes de Willer, que deixou o Brasil em agosto, após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal.
As medidas foram determinadas depois que os investigadores apontaram indícios de movimentações financeiras suspeitas envolvendo negócios relacionados a plataformas de apostas.
O bloqueio de até R$ 6 bilhões representa um limite estabelecido pela decisão judicial, e não significa que esse montante tenha sido efetivamente localizado ou apreendido.
A defesa de Willer classificou as determinações como desproporcionais e contestou a existência de irregularidades. Segundo os advogados, o valor estabelecido para o bloqueio não corresponde ao patrimônio do investigado.
De acordo com nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), à qual EXAME teve acesso, Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas em 2025 e foi a pessoa que mais depositou dinheiro em plataformas de apostas no Brasil no ano passado.
De acordo com o documento, revelado pelo portal UOL, Tomaz realizou depósitos superiores a R$ 258 milhões, quase o dobro do valor depositado pelo segundo maior apostador do país, e acumulou aproximadamente R$ 200 milhões em saques. As apostas realizadas ao longo do período somaram cerca de R$ 5 bilhões.
As suspeitas continuam sob investigação e não representam uma condenação dos envolvidos.
O senador foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira, 26, a entregar os passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Não. A decisão de Moraes proíbe o senador de sair do território nacional, além de determinar a entrega de seus passaportes.
Não. A determinação judicial também proíbe Flávio de manter contato com Willer Tomaz, advogado investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas.
A Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e empresas de pagamento. Entre os elementos analisados estão possíveis vínculos financeiros entre os investigados, registros de viagens e movimentações bancárias consideradas suspeitas.
Não necessariamente. Moraes determinou o bloqueio de bens e valores até o limite de R$ 6 bilhões, o que não significa que todo esse montante tenha sido encontrado ou efetivamente bloqueado.