Ônibus Volvo BZRT, de 28 metros, usado no BRT de Goiânia (Divulgação)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 16h08.
Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 16h21.
Goiânia - A cidade de Goiânia colocou em operação nesta sexta-feira, 30, os maiores ônibus elétricos já utilizados no Brasil. São cinco modelos, cada um com 28 metros de comprimento.
Como comparação, um modelo de ônibus padrão tem 13 metros. Em São Paulo, os maiores modelos em circulação atualmente têm 23 metros. Na China, há ônibus elétricos de 27 metros.
O modelo brasileiro, fabricado em parceria entre Volvo e Marcopolo em Curitiba, é biarticulado, com três partes unidas por duas "sanfonas". É capaz de transportar até 250 passageiros por vez e custa R$ 6 milhões por unidade.
A cidade de Goiânia fará uma compra total de 130 veículos elétricos, de vários tamanhos, que deverão custar, ao todo, R$ 450 milhões, segundo o Consórcio BRT, empresa que opera os veículos.
O ônibus de 28 metros tem dois motores elétricos e até oito baterias, que ficam embaixo do piso. As baterias podem ter até 720 KW de capacidade, o que garante autonomia de até 300 km. A recarga é feita entre duas e três horas para cada veículo, pois são usados carregadores mais potentes.
"São 23 carregadores de 240W, o que demanda uma subestação de 6,05 MW. Como comparação, seria o suficiente para ter 6.000 chuveiros ligados ao mesmo tempo. Ou 1 milhão de lâmpadas", diz Ciro Lima, diretor da Nansem, fabricante de carregadores.
Um novo terminal de recarga em Goiânia, com 46 posições, também foi aberto nesta sexta-feira e é o maior do Brasil até agora. Foram entregues, ainda, 16 ônibus articulados, de 21 metros cada, e um novo terminal de ônibus.
Ônibus Volvo BZRT, de 28 metros, usado no BRT de Goiânia (Divulgação)
Patrick Lucas, gerente de infraestrutura do Consórcio BRT, que coordenou a vinda dos novos modelos, diz que os elétricos, apesar do custo inicial mais alto, trazem economia em combustível e em reparos.
"A manutenção do veículo elétrico é infinitamente menor do que a do veículo a diesel, e há menos desgaste em peças como pneus e lonas de freio", diz Lucas.
Ele explica, ainda, que toda a implantação foi feita em um ano após o início do projeto, e que as obras em si levaram cinco meses.
Em Goiânia, o sistema de ônibus é administrado em conjunto entre o governo do Estado e a prefeitura. Nos últimos anos, houve aumento nos investimentos para modernizar o sistema local, defendidos pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil), de Goiânia, e pelo governador Ronaldo Caiado (PSD).
"O custo do transporte em Goiânia é de R$ 1,5 bilhão por ano. O passageiro paga R$ 500 milhões, e os outros R$ 1 bilhão são pagos pelo Estado de Goiás e pelas prefeituras de Goiânia e de outros municípios", disse Caiado.
"Queremos, com esta oferta [de ônibus], diminuir o trânsito de carros", afirmou o governador.
O Estado e a prefeitura também decidiram manter a tarifa congelada, em R$ 4,30, há sete anos, e investem em mudanças para acelerar as viagens dos coletivos, como otimizar semáforos com o uso de inteligência artificial.
O repórter viajou a convite da Marcopolo e da Volvo.