Flávio Bolsonaro (PL): senador não conseguiu votos suficientes para ser eleito Presidente da República (Saulo Cruz/Agência Senado)
Repórter
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 06h00.
Flávio Bolsonaro (PL) foi derrotado na disputa presidencial neste domingo, 25, com 59.826.041 votos (48,21%). Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 64.256.232 votos (51,79%) e foi reeleito para seu 4º mandato.
Diante do desempenho do senador nas urnas, seu irmão Eduardo Bolsonaro já havia manifestado a possibilidade do candidato deixar o Brasil.
Em entrevista concedida na sexta-feira, 23, a um podcast americano, o ex-deputado federal declarou apoiar a ideia de Flávio Bolsonaro abandone o país em caso de derrota nas urnas. Na conversa, ele também questionou a segurança do sistema eletrônico de votação do país.
Eduardo esteve presencialmente no estúdio do “Louder with Crowder”, comandado pelo comentarista Steven Crowder. Em 2021, o canal de Crowder no YouTube ficou uma semana suspenso por espalhar informações falsas sobre a eleição presidencial americana de 2020.
Ao responder pergunta de espectador, Eduardo Bolsonaro brincou sobre enviar fuzileiros navais e depois defendeu exílio do irmão. (YouTube/Reprodução)
A manifestação sobre Flávio veio depois de uma pergunta de um internauta no chat do programa, que quis saber se a família teria algum plano para ajudar o pai, caso o irmão não vencesse, ou se decidiria o que fazer apenas se esse cenário se concretizasse.
Eduardo respondeu primeiro que seria o caso de enviar os fuzileiros navais. Crowder, já em tom sério, comentou que a esquerda reagiria com indignação e acusaria os americanos de imperialismo, mas disse que algo precisaria ser feito, a menos que fosse possível organizar uma operação de helicóptero para destelhar a prisão.
Eduardo então citou um episódio de debate em que, segundo ele, Lula teria dito a Flávio que ele perderia a eleição, deixaria de ser senador no ano seguinte, perderia a imunidade e passaria a ser investigado. Para Eduardo, aquilo foi uma ameaça direta ao irmão. Ele concluiu afirmando, com ênfase, que apoia a saída de Flávio do país se ele não vencer.
Antes disso, o ex-deputado havia criticado o sistema eleitoral brasileiro. Segundo ele, o voto não é registrado em papel nem há contagem pública, de modo que o eleitor precisa confiar na máquina. Ele recorreu a uma frase que atribuiu a Stálin, segundo a qual o que importa não é quem vota, mas quem conta os votos, e disse que, assim como ele não consegue provar fraude, os adversários tampouco conseguem provar que ela não ocorreu.
Eduardo também atacou o Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, o Congresso aprovou três vezes o voto impresso, e em todas elas o STF considerou a medida inconstitucional.
Neste domingo, o senador Flávio Bolsonaro criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF) que prorrogou em duas horas o horário de encerramento e disse que vai pedir anulação das eleições.
"O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo, às 17:01 o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil", disse.
E acrescentou: "É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições".
O Brasil usa a urna eletrônica desde 1996, e o TSE sustenta que nenhuma fraude foi comprovada em todo esse tempo. Quando a votação termina, cada urna emite um boletim com a soma dos votos da seção. Uma cópia é fixada na entrada do local, e os fiscais dos partidos recebem as suas. O TSE ainda divulga todos os boletins na internet, o que permite a qualquer pessoa conferir os números e compará-los ao resultado oficial.
Sobre o voto impresso, o Congresso aprovou leis com essa previsão em 2002, 2009 e 2015. A primeira foi revogada pelos próprios parlamentares em 2003. Nas outras duas, o STF derrubou os trechos relativos ao voto impresso, em 2013 e 2020, por entender que a medida punha em risco o sigilo do voto.
Eduardo mora nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro do mesmo ano, a Mesa Diretora da Câmara decretou a perda do seu mandato por faltas em excesso.
Em junho, a Primeira Turma do STF o condenou por unanimidade por coação no curso do processo. De acordo com a denúncia da PGR, acolhida pela Corte, ele articulou com o governo americano a adoção do tarifaço contra produtos brasileiros e a suspensão de vistos de autoridades do governo e do STF. O tribunal entendeu que o objetivo era interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no caso da trama golpista.
A pena é de quatro anos e dois meses de prisão, inicialmente em regime semiaberto. A condenação transitou em julgado em 3 de outubro. Em decisão assinada em 7 de outubro e tornada pública no dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes mandou iniciar o cumprimento da pena, expediu mandado de prisão e determinou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros de Eduardo.