Repórter
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 08h50.
A Polícia Federal (PF) investiga possíveis irregularidades na oferta de transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 em cinco estados. As diligências apuram se autoridades atuaram deliberadamente para dificultar o deslocamento de eleitores. A corporação prevê mandados de busca e apreensão e de prisão nos próximos dias. Em Salvador, a Justiça Eleitoral já determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade.
A Polícia Federal (PF) deve realizar nesta segunda-feira, 26, diligências em cinco estados para investigar se houve atuação deliberada de autoridades para dificultar a oferta de transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
As investigações ocorrem em São Paulo, Bahia, Alagoas, Piauí e Sergipe. A corporação apura possíveis crimes de impedimento ou embaraço ao exercício do voto e de recusa de fornecimento de transporte no dia da eleição.
Os trabalhos são conduzidos pela PF em conjunto com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e o Ministério Público Eleitoral. Nos próximos dias, a corporação prevê cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão para aprofundar as investigações.
Segundo a PF, testemunhas começaram a ser ouvidas ainda no domingo, 25. As equipes também realizam diligências nos locais onde foram registradas dificuldades no transporte de eleitores.
"Diligências estão sendo realizadas nesses expedientes com oitivas de pessoas, inclusive diligência também dos locais. Então, são fatos que ainda estão em desdobramento", afirmou Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF (Dicor).
O delegado confirmou que já existe um inquérito instaurado para apurar as circunstâncias das ocorrências, incluindo possíveis tentativas de impedir o voto e irregularidades no fornecimento de transporte.
As dificuldades no transporte público levaram o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar a prorrogação da votação até as 19h em regiões afetadas.
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram pedidos para ampliar o horário de votação em diferentes localidades.
Após a decisão, Flávio Bolsonaro criticou a medida, classificando-a como "inexplicável". O senador derrotado também afirmou que a prorrogação seria motivo para anular o pleito.
Lula foi reeleito presidente no segundo turno, realizado no domingo, 25.
Na Bahia, as denúncias sobre a retenção de ônibus levaram o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), Maurício Kertzman Szporer, a determinar a prisão de Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade de Salvador.
Segundo a reportagem, a ordem não havia sido cumprida porque o secretário estava em Paris, na França.
De acordo com informações da prefeitura, cerca de 75 ônibus foram impedidos de deixar as garagens por estarem identificados com adesivos do número 13, utilizado por Lula na eleição presidencial.
Na decisão, o presidente do TRE-BA apontou que a orientação para reduzir a frota teria partido da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).
"Considerando-se que a orientação para redução da frota partiu da Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador (Semob) (...), determino que seja procedida a imediata prisão do seu titular, o Secretário Pablo de Souza", diz trecho da decisão.
O caso integra as ocorrências investigadas pelas autoridades eleitorais sobre possíveis obstáculos ao deslocamento de eleitores durante a votação.
A Polícia Federal investiga possíveis irregularidades no transporte público em São Paulo, Bahia, Alagoas, Piauí e Sergipe.
A corporação apura se houve atuação deliberada de autoridades para dificultar o deslocamento de eleitores, incluindo possíveis crimes de impedimento ao exercício do voto e recusa de fornecimento de transporte.
Segundo as informações divulgadas, a PF prevê cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão nos próximos dias. As investigações ainda estão em andamento.
O ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação em regiões afetadas por dificuldades na oferta de transporte público. As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro haviam apresentado pedidos para ampliar o horário.
A Justiça Eleitoral da Bahia determinou a prisão de Pablo Souza, mas, segundo a reportagem, a ordem não havia sido cumprida porque o secretário estava em Paris.
*Com O Globo