Mercado Imobiliário

Construir data center em SP sai 22% mais barato que no Vale do Silício

Capital paulista também fica abaixo da Virgínia do Norte, maior polo do mundo, em índice da Turner & Townsend com 62 mercados

 (Yuichiro Chino/Getty Images)

(Yuichiro Chino/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 31 de outubro de 2026 às 10h00.

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Erguer um data center em São Paulo custa, em média, US$ 11,66 por watt de capacidade instalada. No Vale do Silício, onde nasceram as big techs que lideram a corrida da inteligência artificial, a mesma estrutura sai por US$ 15,01 — uma diferença de 22%.

Os números são da décima edição do Data Center Construction Index, da consultoria britânica de gestão de projetos Turner & Townsend. O levantamento reúne dados de mais de 500 projetos em andamento ou recém-concluídos em 62 mercados, além de uma pesquisa com mais de 400 especialistas do setor.

No ranking, que ordena as cidades da mais cara para a mais barata, São Paulo ocupa a 30ª posição. A capital paulista fica atrás até da Virgínia do Norte, nos Estados Unidos, considerada o maior mercado de data centers do mundo, onde o custo é de US$ 11,80 por watt.

O que significa o custo por watt

A métrica não tem relação com a conta de luz. Ela mede quanto custa construir a infraestrutura de um data center para cada watt de capacidade elétrica instalada, o que permite comparar projetos de tamanhos diferentes em cidades diferentes.

O índice toma como referência um projeto típico de 60 megawatts (MW). Em uma conta simples a partir desses valores, um empreendimento desse porte custaria cerca de US$ 700 milhões em São Paulo, ante aproximadamente US$ 900 milhões no Vale do Silício.

No topo da lista estão os mercados asiáticos. Tóquio lidera, com US$ 18,28 por watt, seguida por Osaka (US$ 17,15), Zurique (US$ 15,93) e Singapura (US$ 15,39). Na comparação com a capital japonesa, construir em São Paulo sai 36% mais barato.

Na outra ponta, Xangai tem o menor custo do índice, de US$ 5,79 por watt, seguida por Mumbai (US$ 6,83) e Ho Chi Minh (US$ 8,32).

Rio passa São Paulo e vira o mais caro da América Latina

Entre os mercados latino-americanos, o Rio de Janeiro aparece na 20ª posição, com US$ 12,59 por watt — 8% acima de São Paulo e o maior custo da região no ranking. O valor deixa a capital fluminense à frente de cidades como Frankfurt (US$ 12,49) e praticamente empatada com Dublin (US$ 12,60).

Na edição anterior, era São Paulo quem liderava os custos na América Latina, com US$ 10,75 por watt, segundo dados divulgados pela consultoria. A alta de um ano para o outro foi de 8,5%, ritmo próximo ao da Virgínia do Norte, que passou de US$ 10,92 para US$ 11,80.

No México, Monterrey ocupa a 23ª posição (US$ 12,41) e Querétaro, a 32ª (US$ 11,49). Montevidéu (US$ 9,89), Santiago (US$ 9,75) e Bogotá (US$ 9,13) estão entre os mercados mais baratos do mundo.

"A posição de São Paulo e do Rio de Janeiro no índice global reforça o Brasil como o principal polo de infraestrutura de data centers da América do Sul", afirmou Henrique Cicchetto, diretor de Real Estate da Turner & Townsend no Brasil, em nota. Segundo ele, a matriz energética diversificada, a demanda por nuvem e o avanço da IA mantêm o país no radar de grandes investidores e de hyperscalers, como são chamadas as gigantes de computação em nuvem.

Energia e mão de obra viram o gargalo

O custo de construção, no entanto, deixou de ser o único fator na escolha de onde instalar um data center. A pesquisa com especialistas mostra que o principal entrave hoje é a energia.

Para 56% dos entrevistados, o fornecimento de eletricidade é um obstáculo crítico. Pouco mais da metade (52%) afirma que a conexão à rede leva de um a dois anos, e 32% relatam prazos superiores a 24 meses.

A falta de profissionais também pesa: 81% dos especialistas apontam restrições moderadas ou severas na oferta de mão de obra qualificada.

A pressão tende a crescer com a inteligência artificial. Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados preveem que, até 2027, a maior parte de seus projetos será voltada a cargas de trabalho de IA, o que exige estruturas de escala de gigawatts e sistemas de refrigeração líquida, mais complexos de construir.

"Escalar a capacidade operacional para responder à onda da IA exige superar gargalos importantes em viabilidade elétrica, eficiência hídrica e disponibilidade de mão de obra especializada", afirmou Lloyd Wallace, diretor de Real Estate e Data Centers da Turner & Townsend na América Latina, em nota.

A corrida pelos investimentos

O índice chega em um momento de disputa por capital no setor. Em setembro, o Senado aprovou o Redata, regime especial de tributação que concede incentivos fiscais para a instalação e a ampliação de data centers no país.

Dentro do Brasil, a demanda segue concentrada no estado de São Paulo, com a capital e Campinas como principais polos. Para Wallace, transformar esse fluxo de capital em projetos rentáveis exige modelos de gestão integrada, capazes de controlar custos e prazos desde o planejamento.

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