Em evento com Pezão, viúva de Marielle cobra conclusão de investigações

Companheira da vereadora disse que governador terá "sangue nas mãos" enquanto o caso da Marielle não for resolvido

Durante a reabertura da Biblioteca Parque de Manguinhos, que a partir de hoje terá o nome da vereadora assassinada Marielle Franco, a viúva da vereadora, Mônica Tereza Benício, cobrou do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, a conclusão das investigações sobre a morte da parlamentar, que completa 15 dias hoje.

"Seu governador, desculpe, mas há sangue nas suas mãos e nas mãos de todos que estão aqui, enquanto o caso da Marielle não for resolvido", disse Mônica ao lembrar que Marielle lutava por causas importantes que continuarão a ser defendidas. "Tentaram matar uma mulher e ressuscitaram uma esperança. Marielle vive e vai continuar lutando pelas bandeiras que acreditava".

Presente no evento, o governador Luiz Fernando Pezão recebeu vaias ao subir ao palco e, ao final da cerimônia de reabertura da biblioteca, comentou a declaração de Mônica e as vaias. "Vejo com naturalidade. Eu não matei ninguém. Não atiro em ninguém", disse.

Pezão assegurou que as investigações sobre o crime estão sendo conduzidas com muito rigor e por profissionais capacitados: "O Rivaldo [Rivaldo Barbosa, chefe da Polícia Civil do Rio] é um extraordinário policial que vem dessa área de investigação. Está com diversas equipes. Não está faltando a integração com a inteligência das Forças Armadas, da Abin, de todos os órgãos. Tenho certeza que ele vai elucidar. Agora, este é um trabalho da polícia. Deixa a polícia trabalhar. Eles não podem falar sobre o andamento das investigações para não prejudicar. Eles estão trabalhando arduamente 24 horas por dia. Qualquer informação que a gente der é muito ruim. Pode atrapalhar a investigação", apontou.

Biblioteca

Por causa da crise financeira do estado do Rio, a biblioteca-parque estava fechada desde dezembro de 2016. A sugestão de dar o nome da vereadora ao espaço, que segundo o governo do estado, foi aceita pela família dela, partiu da Secretaria de Estado de Cultura. A intenção é homenagear a trajetória de Marielle, "que lutou em defesa dos direitos humanos e viveu no Complexo da Maré, comunidade com problemas semelhantes aos de Manguinhos".

Para Pezão, dar o nome de Marielle Franco à biblioteca é uma forma de perpetuar em uma comunidade pobre como a da Maré, onde a vereadora cresceu, o combate à violência. "Mostrar que em todas essas comunidades, todos esses locais, a gente vai combater a violência através da educação, da cultura. (...) Ter este nome aqui tem este simbolismo, da resistência, da luta e pela igualdade entre as pessoas."

A companheira de Marielle elogiou a reabertura do local, mas ponderou que é obrigação do Estado oferecer serviços deste tipo nas comunidades. "Esse projeto é importante que aconteça, mas não é nada menos do que obrigação do Estado que este tipo de serviço seja mantido e feito às nossas crianças faveladas, aos negros, às negras, porque essas eram as bandeiras de Marielle", afirmou.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 3,90/mês
  • R$ 9,90 após o terceiro mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 99,00/ano
  • R$ 99,00 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 8,25 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.