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Correios estão de greve? Sindicatos debatem paralisação na terça

Assembleia na terça-feira, 23, definirá se categoria aceitará a proposta oficializada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 22 de dezembro de 2025 às 17h19.

Os sindicatos de trabalhadores dos Correios de pelo menos nove estados se reunirão na terça-feira, 23, para definir os próximos passos da greve iniciada na última quarta-feira, 17.

Os servidores vão analisar a proposta oficializada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). A medida foi construída no processo de mediação entre as entidades sindicais e a direção dos Correios.

Segundo apurou a EXAME, a proposta não atende integralmente aos pleitos da categoria, mas uma reunião na tarde desta segunda-feira deve definir se as condições serão aprovadas ou não.

Caso a proposta não seja aprovada, uma greve mais ampla deve ser deflagrada. Existe uma preocupação da diretoria da estatal com a entrega das encomendas na semana das festas de final de ano.

Segundo informações da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), pelo menos 9% da força do trabalho da estatal estão em paralisação. 

No sábado, a ministra Kátia Magalhães Arruda, do Tribunal Superior do Trabalho, atendeu a um pedido da estatal e determinou que os trabalhadores dos Correios mantenham 80% do efetivo em atividade durante a greve.

Para a ministra, o serviço postal é essencial e não pode ser totalmente paralisado. Em caso de descumprimento, os sindicatos podem sofrer multa diária de R$ 100 mil.

Os funcionários reivindicam um novo acordo coletivo, reajuste salarial e medidas contra a crise financeira da empresa.

Em nota, os Correios informaram que todas as agências seguem abertas e que foram adotadas medidas para reduzir os impactos à população.

A greve ocorre em meio ao processo da empresa para buscar um empréstimo de R$ 12 bilhões para cobrir prejuízos.

Quais pontos estão atendidos na proposta?

O possível acordo prevê reajuste salarial de 5,13%, com vigência a partir de janeiro de 2026. O pagamento será realizado a partir de abril de 2026, incluindo o retroativo referente aos meses de janeiro, fevereiro e março.

A reposição integral da inflação, com aplicação de 100% do INPC no período de agosto de 2025 a julho de 2026, a ser incorporada aos salários a partir de 1º de agosto de 2026.

Os reajustes salariais incidem sobre todas as cláusulas com impacto econômico, incluindo benefícios e a função motorizada (MV), garantindo o direito a toda categoria.

Segundo a Federação, a proposta manteve o pagamento de 70% das férias, agora assegurada claramente. No acordo anterior, esse direito não era pleno, pois previa pagamento proporcional.

Outra garantia foi a manutenção da entrega matutina. Os sindicatos afirmam que a reivindicação é importante para preservar melhores condições de saúde, segurança e organização da jornada de trabalho, impedindo mudanças que poderiam gerar impactos negativos aos trabalhadores.

A proposta também garante o plano de saúde dos trabalhadores nos moldes atuais, com os Correios permanecendo como mantenedores.

O acordo coletivo teria vigência por dois anos.

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